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MAPFRE Investimentos: A relação entre os preços de commodities e a inflação ao consumidor

São Paulo, 1º de abril de 2019 – A semana é de indicadores relevantes de atividade econômica no exterior e no Brasil. Na União Europeia, destacamos a divulgação da taxa de desemprego e do PMI (Purchasing Managers' Index) nos dias 2 e 3, respectivamente. Nos Estados Unidos, será apresentado o indicador de produção industrial, na quarta-feira, e o Relatório de Emprego, na sexta. No Brasil, finalmente, serão conhecidos amanhã os resultados da Pesquisa Industrial Mensal, do IBGE, e os indicadores industriais, da CNI. A Anfavea divulga a produção de veículos de março no dia 4.

Além desses indicadores, ressaltamos a divulgação na quarta-feira (3) do Índice de Commodities Brasil (IC-Br), que mede a variação em reais dos preços de produtos primários negociados no exterior. O índice considera, em sua ponderação, a dinâmica dos preços ao consumidor no Brasil e teve alta relevante em sua última observação, de 3,9%, em fevereiro, pressionada pela depreciação do real no mês. Dada a intensificação dessa desvalorização em março, a alta do IC-Br será ainda mais intensa.

Essa dinâmica do índice de commodities não é neutra do ponto de vista da inflação ao consumidor. Exercícios do Banco Central revelam que o repasse de um choque do IC-Br para o IPCA ocorre logo no primeiro mês em que os preços médios da cesta se elevam. Este repasse atinge o pico no mês seguinte e torna-se praticamente nulo a partir do quinto mês após o choque inicial. O gráfico abaixo confirma a interdependência entre o IC-Br e o índice de preços de produtos comercializáveis.

O repasse da evolução de preços de commodities em reais para os preços ao consumidor é condicionada pela atividade econômica. Em períodos de baixo dinamismo do nível de atividade, como o atual, esse repasse tende a ser reduzido. Nesse caso, a pressão tende a ser parcialmente absorvida pelos formadores de preços, em detrimento de suas margens de lucro. Esse mecanismo de absorção, entretanto, tem seus limites, em especial no caso produtos que refletem mais condições de oferta do que demanda. Não por acaso, os preços de alimentos e de combustíveis deverão pressionar a inflação ao consumidor nos próximos meses. Estamos atentos aos riscos e oportunidades desse cenário.

Empresas e setores: Setor de imóveis tem perspectiva positiva

O setor de imóveis continua avançando em 2019, impulsionado principalmente pela melhora nas concessões de créditos e pelo aquecimento nas vendas de imóveis de alto e médio padrão. A concessão de crédito imobiliário para pessoa física, quando comparada ao mesmo período do ano anterior, cresceu 38%, o maior volume desde 2016. As concessões para pessoa jurídica se recuperam de forma modesta, com alta de 2% comparado a 2018.

Os dados da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias)/Fipe indicam uma desaceleração no ritmo das vendas de 22% em janeiro, quando comparado ao mesmo período do ano passado. Mas a perspectiva é de que os dados de fevereiro apresentem melhoras, uma vez que o volume de financiamento tem crescido. Observa-se redução dos estoques, quando comparamos o saldo entre unidades lançadas e unidades vendidas, conforme figura a seguir. Logo, esse efeito tem refletido na alta dos preços, impulsionado principalmente por vendas de imóveis de médio e alto padrão, depois de um longo período de retração.

Já os distratos voltaram a ser vilões nas vendas no primeiro mês de 2019. O volume voltou a crescer. Vale ressaltar que a nova regra do setor pode e vai fazer o consumidor sentir no bolso o cancelamento da compra do imóvel, podendo perder até 50% do que pagou.

Gestão: Chuvas de verão e o mercado Borderline

Descer do céu ao inferno e depois retornar, non-stop, eis a tônica da dramática semana que se passou. As prisões do ex-presidente Temer e do ex-ministro Moreira Franco associadas a ruídos e tuítes da comunicação extraoficial do Planalto endereçados ao presidente da Câmara já prenunciavam um céu carregado de chuvas e trovoadas para o mercado.

Os atritos entre a Presidência e o Congresso, entremeados por 'fogo amigo' de sobra e interlocução de menos, levou o mercado a reduzir as chances de aprovação de uma reforma da Previdência com potência fiscal (qualquer número com economia igual ou maior que R$ 1 trilhão) numa velocidade assombrosa, impulsionando o dólar – que no pior momento chegou a operar acima dos R$ 4 – e fazendo desabar a Bolsa.

Neste momento potencialmente disruptivo, foram poucos os que se atreveram a falar o óbvio: o Executivo tinha de tomar a frente do processo de articulação, e a Câmara, personificada em Rodrigo Maia, precisava desesperadamente de um abraço. Isso mesmo. Pai Guedes e irmão Onyx fizeram cessar os canhões e prepararam o terreiro, invocaram as principais entidades no Congresso e distribuíram passes entre seu séquito. Estabeleceram-se reuniões semanais de coordenação e amarraram as partes antes beligerantes numa onda de vibrações mais elevadas.

A CCJ encerrou a semana com relator e foi enterrada a CPI da Toga. Segundo o presidente Jair Bolsonaro tudo não passou de uma chuva de verão. Bem diferente foi o clima predominante nos mercados, que praticamente recuperaram na segunda metade da semana tudo que perderam na primeira, fenômeno classificado pela medicina psiquiátrica como síndrome de Borderline. De tal modo que a semana encerrou com dólar em ligeira queda de 0,3%, Ibovespa em alta de 1,8% e DIs em ligeira devolução de prêmios, embora o movimento da semana mais tenha se assemelhado ao de uma montanha-russa depois da vodca.

DISCLAIMER - Este conteúdo foi criado pela MAPFRE Investimentos S/A (MAPFRE Investimentos) e é disponibilizado apenas para fins informativos. Sua finalidade exclusiva é emitir opiniões técnicas de cunho particular, acerca de possíveis movimentações do cenário atual do mercado que possam ocasionar eventuais impactos ao investidor e/ou potencial investidor. As informações, opiniões, estimativas e projeções apresentadas constituem concepção exclusiva da MAPFRE Investimentos, considerando a data atual e dados públicos confiáveis. Essas observações estão sujeitas a alterações sem aviso prévio a exclusivo critério da Empresa, que não tem obrigação de atualizar, modificar ou alterar este material. A MAPFRE Investimentos reforça que este conteúdo não é uma sugestão para a compra ou venda de qualquer instrumento financeiro nem tem a pretensão de indicar investimento pessoal e não leva em conta as características de investimentos específicos, a situação financeira e as necessidades particulares de qualquer pessoa que tenha acesso a este informe. A Companhia recomenda que o investidor ou potencial investidor busque orientação financeira sobre o melhor produto a ser adquirido, observando a adequação ao seu perfil, antes de realizar qualquer tipo de investimento financeiro. A MAPFRE Investimentos, seus administradores e funcionários estão isentos de quaisquer responsabilidades sobre eventuais danos resultantes direta ou indiretamente da utilização das informações contidas neste informativo.

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Sobre a MAPFRE - No país desde 1992, a MAPFRE é um grupo multinacional que forma uma das maiores companhias de prestação de serviços nos mercados segurador, financeiro e saúde. Sólida e inovadora, está presente nos cinco continentes e conta com mais de 35 mil colaboradores. Em 2018, suas receitas atingiram cerca de 27 bilhões de euros, e o lucro líquido foi de 529 milhões de euros. Especialista nas suas áreas de negócio, a MAPFRE opera com bases de atividades sustentáveis e, no Brasil, atua em seguros, investimentos, consórcios, capitalização, previdência, saúde e assistência. A companhia ainda mantém a Fundación MAPFRE, instituição sem fins lucrativos, que promove e desenvolve atividades de interesse geral da população. Mais informações sobre produtos e soluções: www.mapfre.com.br

A unidade MAPFRE Investimentos é especializada na gestão de fundos de investimentos que atendem aos segmentos de pessoa física e jurídica, além de entidades de previdência complementar, totalizando hoje um volume superior a R$ 10 bilhões.

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