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MAPFRE Investimentos: Balança Comercial em Foco

São Paulo, 22 de abril de 2019 – Na quinta-feira, serão divulgados o IPCA-15 e dados da construção civil no país. No dia seguinte, serão publicados o Relatório Mensal da Dívida Pública, do Tesouro Nacional, e a Nota de Imprensa ao Setor Externo, do Banco Central. No cenário externo, destaque para a apresentação do PIB dos Estados Unidos e dos lucros da indústria chinesa, ambos também no dia 26.

O mercado segue atento à situação comercial entre os países centrais. O mundo está em compasso de espera enquanto a baixa intensidade dos negócios diminui a corrente de comércio e catalisa a deterioração das nações desenvolvidas.

O Brasil, porém, parece imune aos prejuízos do arrefecimento global. A guerra comercial entre China e Estados Unidos tem deslocado parte da demanda mundial atendida pelos norte-americanos para os brasileiros. É o caso da soja, cujas exportações cresceram mais de 17% no primeiro trimestre de 2019 se comparadas com o mesmo período do ano anterior. Eventos pontuais, como a febre suína africana, também beneficiaram o país. A doença reduziu a população animal asiática e provocou a mudança no comportamento do consumidor, que receoso de consumir a carne suína, demanda proteína de origem bovina e de frango, em que o Brasil é um player mais relevante.

Estes movimentos exógenos ao esforço tropical geram dois efeitos macroeconômicos. O primeiro é a mudança na pauta de exportação, que em 2019, está mais concentrada em produtos básicos em detrimento de manufaturados. Isto consolida o país como grande fornecedor de commodities mundial. O segundo, é a contribuição externa para o crescimento do PIB e para as receitas do Estado advindas das transações comerciais. Este efeito, especificamente, atenua a deterioração fiscal em curso, que é o calcanhar de Aquiles da economia brasileira no momento.

Empresas e Setors: Red Flag na compra de ações e de créditos: os paraísos fiscais

Na análise de ativos, sejam ações de empresas listadas em bolsa de valores ou ativos de crédito emitidos a mercado (debêntures, Letras Financeiras, LCIs, LCAs, etc.), existem basicamente dois tipos de risco envolvidos: o de mercado (risco sistemático) e o de ativo específico (não sistemático).

O risco de mercado é o risco do sistema como um todo. Ao comprar ativos mobiliários, o investidor já está exposto a este tipo de risco. Por exemplo, a Grande Crise Financeira de 2008 foi um evento de grandes proporções, que mostrou a força de um evento sistemático. Preços de ativos ao redor do globo foram afetados, mesmo aqueles que não estavam ligados diretamente aos ativos financeiros norte-americanos.

Já o risco do ativo específico é o risco de se investir em um determinado nome. Por exemplo, ao escolher ações da Petrobras, além do risco do mercado acionário (sistema), o investidor também está sujeito aos riscos específicos do negócio da estatal, como: oscilações no preço do petróleo e no dólar, perigo de utilizar o controle de preços para agradar um nicho específico da população ou para controlar a inflação, possibilidade de ingerência dos controladores ou até do presidente da República, possibilidade de desvios de conduta e de recursos, perigos operacionais da plataforma em alto mar, entre outros.

Ao efetuar a análise de riscos de um ativo específico, as casas de gestão de recursos profissionais utilizam suas próprias matrizes de risco, elencando o consideram relevante para classificar um bom investimento.

Para ilustrar, entre os fatores que analisamos estão: ambiente competitivo, entendimento da história da empresa e do setor de atuação, background do management, background dos conselheiros, drivers macroeconômicos, risco operacional, risco financeiro, capacidade de pagamento da dívida.

Um risco que o mercado está cada vez mais atento – e que também temos discutido quando surge o caso – é a questão das empresas com sedes em paraísos fiscais. Lugares como as Ilhas Cayman, Bahamas, Bermuda e Chipre são ilhas paradisíacas, mas também atraentes para empresas que querem diminuir sua alíquota de impostos e, possivelmente, burlar leis específicas em seus países de atuação.

Imagine uma organização que tenha a maior parte de seus ativos na China, escritórios em Hong Kong, ações incorporadas nas Ilhas Virgens Britânicas, fundada nas Antilhas Holandesas e ações listadas nos Estados Unidos. É possível!

Em caso de fraude, em uma empresa como essa, é difícil recuperar os recursos dos investidores, especialmente se os executivos mudarem sua residência para paraísos fiscais sem tratados de extradição com o Brasil. Portanto, uma tarefa dos investidores de ações e (principalmente) de crédito é descobrir a motivação de uma determinada companhia possuir controladoras ou sede em paraísos fiscais, adicionando esse fator aos riscos específicos da empresa.

Gestão: Entre choros e chicanas quem ganha é a Petro e quem perde é o PIB
Mais uma semana de intensas e ciclotímicas movimentações dominaram os mercados, com um olho na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e outro na Petrobras. Após muito choro, concessões por parte do governo e ranger de dentes por parte dos caminhoneiros, o preço do diesel foi reajustado; e a política de preços da Petrobras, reafirmada na véspera do último dia da semana curta de Páscoa.

No polo negativo, na CCJ que discute a admissibilidade da reforma da Previdência, entre choros e chicanas da oposição, quem ocupou seu espaço foi o Centrão. Exercendo intensa pressão, forjou improvável e episódica aliança com a oposição, que obrigou o governo a ceder e rever posições, seja nos acenos com cargos, em pontos antes considerados fechados, e inclusive nas datas de votação, que foram adiadas para a próxima semana.

Como diz o sábio dito popular, "quem não chora não mama." Nada de novo e tudo previsível, inclusive, as dificuldades e, em consequência, a volatilidade. No pain, no gain.

No cenário externo, o entusiasmo em torno da divulgação do PIB da China no primeiro trimestre, com avanço de 6,4% a.a., impulsionou as commodities e ativos de risco. Apesar de não ultrapassarem suas máximas recentes, índices na China e nos EUA praticamente andaram de lado, e o índice S&P500 fechou a semana em ligeira baixa de 0,6%, sob temores de uma fraca temporada de resultados corporativos, com previsão de recuo de 4% nos lucros corporativos frente ao mesmo período do ano anterior.

Já no Brasil, onde o PIB anda à míngua e as expectativas se deterioram sensivelmente, a semana foi de recuperação, com o Ibovespa avançando 1,8% e os DIs devolvendo prêmios, embora muito timidamente. Como contraponto, o dólar avançou 0,9%, sob contínuas saídas no fluxo cambial. Nesta semana o foco das atenções estará na votação da reforma da Previdência na CCJ da Câmara.

DISCLAIMER - Este conteúdo foi criado pela MAPFRE Investimentos S/A (MAPFRE Investimentos) e é disponibilizado apenas para fins informativos. Sua finalidade exclusiva é emitir opiniões técnicas de cunho particular, acerca de possíveis movimentações do cenário atual do mercado que possam ocasionar eventuais impactos ao investidor e/ou potencial investidor. As informações, opiniões, estimativas e projeções apresentadas constituem concepção exclusiva da MAPFRE Investimentos, considerando a data atual e dados públicos confiáveis. Essas observações estão sujeitas a alterações sem aviso prévio a exclusivo critério da Empresa, que não tem obrigação de atualizar, modificar ou alterar este material. A MAPFRE Investimentos reforça que este conteúdo não é uma sugestão para a compra ou venda de qualquer instrumento financeiro nem tem a pretensão de indicar investimento pessoal e não leva em conta as características de investimentos específicos, a situação financeira e as necessidades particulares de qualquer pessoa que tenha acesso a este informe. A Companhia recomenda que o investidor ou potencial investidor busque orientação financeira sobre o melhor produto a ser adquirido, observando a adequação ao seu perfil, antes de realizar qualquer tipo de investimento financeiro. A MAPFRE Investimentos, seus administradores e funcionários estão isentos de quaisquer responsabilidades sobre eventuais danos resultantes direta ou indiretamente da utilização das informações contidas neste informativo.

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Sobre a MAPFRE - No país desde 1992, a MAPFRE é um grupo multinacional que forma uma das maiores companhias de prestação de serviços nos mercados segurador, financeiro e saúde. Sólida e inovadora, está presente nos cinco continentes e conta com mais de 35 mil colaboradores. Em 2018, suas receitas atingiram cerca de 27 bilhões de euros, e o lucro líquido foi de 529 milhões de euros. Especialista em suas áreas de negócio, a MAPFRE opera com bases de atividades sustentáveis e, no Brasil, atua em seguros, investimentos, consórcios, capitalização, previdência, saúde e assistência. A companhia adota compromissos internacionais como os Princípios para a Sustentabilidade em Seguros (PSI) e integra o Pacto Global da ONU (Organização das Nações Unidas). Também mantém a Fundación MAPFRE, instituição sem fins lucrativos, que promove e investe em pesquisas, estudos e atividades de interesse geral da população. Mais informações em www.mapfre.com.br.

A unidade MAPFRE Investimentos é especializada na gestão de fundos de investimentos que atendem aos segmentos de pessoa física e jurídica, além de entidades de previdência complementar, totalizando hoje um volume superior a R$ 10 bilhões.

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