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MAPFRE Investimentos: Com economia aquecida nos EUA, dólar segue forte

São Paulo, 29 de abril de 2019 - O feriado no meio dessa semana não impede a ocorrência de eventos e divulgação de indicadores econômicos relevantes. Além do IGP-M hoje, contaremos com a apresentação da Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio (PNAD), do Índice de Commodities Brasil (IC-Br) e da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) na terça-feira, quinta-feira e sexta-feira, respectivamente. No exterior, teremos também fortes emoções. Entre eventos de peso, contamos com a reunião do Comitê de Política Monetária dos EUA (FOMC), e o Índice de Preços ao Consumidor europeu nos dias 1º e 3, respectivamente.

Não há dúvida de que esses eventos internacionais têm potencial de impacto na paridade do dólar perante outras moedas. Há condições favoráveis para a moeda norte-americana. O mercado de trabalho dos Estados Unidos segue se fortalecendo, a taxa de desemprego se mantém baixa e os aumentos salariais sofrem mais pressão ascendente. Na União Europeia, por outro lado, devido ao baixo crescimento econômico, as finanças públicas estão cada vez mais ameaçadas em diversas nações, colocando uma luz amarela nos critérios do Tratado de Maastricht. A Itália é um ponto de atenção. Isso deve levar a crescentes tensões dentro do bloco econômico, o que constitui evento negativo para o euro.

Há outros condicionantes da paridade do dólar. É provável que Donald Trump imponha tarifas de importação mais altas sobre as importações da Europa, em carros em particular, com impactos negativos sobre o nível de atividade europeu. No cenário que a MAPFRE Investimentos considera ser o mais provável, os fluxos de capitais do velho continente para os EUA se tornarão cada vez mais evidentes, com impactos positivos sobre a paridade do dólar perante o euro e outras moedas. O real não será exceção.

Essa valorização da moeda norte-americana perante outras já está ocorrendo. A mesma se valorizou 8,4% contra uma cesta de moedas globais nos últimos 12 meses, conforme figura abaixo. É verdade que a valorização em relação ao real no mesmo período foi mais acentuada, de 15,9%. Mas é também verdade que paridades de moedas de economias emergentes, como a nossa, possuem maior amplitude e volatilidade que as de economias centrais. Em resumo, a desvalorização da moeda brasileira não constitui anomalia, mas sim o reflexo da fortaleza do dólar. Nesse contexto global, de pouco valem swaps cambiais, leilões de linha e até ofertas de capital a vista para conter esse movimento.

Empresas e Setores: Shoppings como centro de serviços

Uma das tarefas mais difíceis dos executivos das empresas de shoppings centers é a escolha do "mix" de lojas –a composição de estabelecimentos que vai oferecer aos seus clientes. A decisão deve considerar a quantidade de lojas de vestuário, as lojas âncoras, os restaurantes da praça de alimentação, a oferta de entretenimento e a localização exata de cada loja.

De 2017 a 2018, a MAPFRE Investimentos teve uma posição comprada nas ações da empresa Michael Kors (CPRI US), varejista de luxo de roupas e sapatos com forte presença no mercado internacional. À época, enquanto o S&P500 apresentava seguidas valorizações, o preço das ações das varejistas despencava (e por isso apareceu a oportunidade). O motivo? O comércio virtual era uma ameaça real às varejistas. Nos chamou a atenção as situações de Macy's, Sears e JC Penny, lojas multimarca sem grande representatividade das vendas advindas de produção própria. Com diligencia, a gestora apurou que o caso de Michael Kors era diferente e teve um lucro de 100% na posição!

Percebemos em nossas pesquisas que, nos EUA, os shoppings centers (os malls) são literalmente centros de compras, muito focados em varejo. Cinemas e restaurantes ficavam até em áreas apartadas. Com a melhoria da experiência das compras pelos grandes varejistas on-line, o consumidor tinha motivos de sobra para alterar o seu canal de compras.

No Brasil, embora lenta, a mudança já começa a acontecer. O modelo tradicional de receita dos shoppings locais é baseado em aluguel mais um percentual das vendas físicas dos lojistas. O comércio on-line começa a atrapalhar logo no primeiro piso do faturamento: se o cliente compra no site e retira no shopping, a varejista deveria repassar o percentual da venda ao shopping?

As empresas de shopping centers brasileiras, principalmente as maiores, listadas em bolsa, estão de olho no que aconteceu nos Estados Unidos e nos novos hábitos no Brasil. Os executivos do setor estão repensando seus respectivos "mixes"; e a ideia é focar cada vez mais na oferta de serviços e "experiências".

Assim, será cada vez mais comum encontrarmos nos shoppings áreas destinadas a: restaurantes do tipo casual dining ou de alta gastronomia, serviços médicos, laboratórios clínicos e de imagem, serviços de estética, cinemas, teatros, centro de convenções, área para crianças, praças e parques temáticos. A receita e margens podem até ser menores, porém parecem mais estáveis e, portanto, mais previsíveis.

Num primeiro momento, os gestores dificilmente irão desalojar as grandes âncoras varejistas, talvez tentarão reduzir seu tamanho. Antes, sofrerão as varejistas menores, de vestuário, artigos esportivos, calçados, as livrarias e as joalherias. Futuramente ficarão nos shoppings apenas aqueles estabelecimentos que respondem melhor às compras por impulso.

Os gestores de shoppings acreditam em seu modelo de negócios, mesmo que este tenha que ser adaptado. Acham que o público brasileiro gosta de shopping e que, se o "mix" for capaz de atendê-lo bem, não deve haver diminuição na circulação de pessoas nos centros de compras do país.

Gestão: And the Oscar goes to… PIB EUA 1T19!
Apesar do marasmo com o nível de atividade da economia brasileira e das frustrações com a velocidade de tramitação da reforma da Previdência, nem tudo é um vale de lágrimas. O Caged (Cadastro de Empregados e Desempregados) de março apontou fechamento de 43 mil vagas, a inflação encontra-se em momentum de pontual aceleração e as projeções de crescimento para o PIB de 2019 vêm recuando semana a semana.

Na ponta oposta, a apresentação da abertura de cálculo das economias previstas com a reforma da Previdência revelou uma 'gordura' de R$ 200 bilhões com a qual ninguém contava – exceto o Ministro da Economia e seu Secretário da Previdência. Ato contínuo, bolsa em alta, dólar e DIs em queda expressiva. Na mesma toada, ganham corpo as discussões quanto à privatização do parque de refino da Petrobras e a abertura e desregulamentação do mercado de gás natural – há quem diga em queda de preços da commodity para consumidores industriais de até 50%. Nada mau, se não fosse tudo isso apenas no papel... ainda.

Todavia, o contrário de uma economia que patina ao mesmo tempo em que sua inflação acelera existe e se chama PIB americano do primeiro trimestre de 2019. Divulgado na sexta-feira, apresentou um crescimento anualizado de 3,2% no período, com seu deflator (proxy de inflação) em 1,8% a.a. Os números representam uma pá de cal nas especulações quanto a uma possível recessão ainda em 2019, bem como de uma retomada da alta nas taxas de juros, o que contribuiu para a manutenção de um cenário de curto prazo benigno para os ativos de risco e dá apoio adicional às commodities.

Na semana, o S&P 500 avançou 0,7%, enquanto o Ibovespa teve ganhos de 1,75%, o dólar recuou 0,3% e os DIs incorporaram prêmios, refletindo o repique inflacionário.

DISCLAIMER - Este conteúdo foi criado pela MAPFRE Investimentos S/A (MAPFRE Investimentos) e é disponibilizado apenas para fins informativos. Sua finalidade exclusiva é emitir opiniões técnicas de cunho particular, acerca de possíveis movimentações do cenário atual do mercado que possam ocasionar eventuais impactos ao investidor e/ou potencial investidor. As informações, opiniões, estimativas e projeções apresentadas constituem concepção exclusiva da MAPFRE Investimentos, considerando a data atual e dados públicos confiáveis. Essas observações estão sujeitas a alterações sem aviso prévio a exclusivo critério da Empresa, que não tem obrigação de atualizar, modificar ou alterar este material. A MAPFRE Investimentos reforça que este conteúdo não é uma sugestão para a compra ou venda de qualquer instrumento financeiro nem tem a pretensão de indicar investimento pessoal e não leva em conta as características de investimentos específicos, a situação financeira e as necessidades particulares de qualquer pessoa que tenha acesso a este informe. A Companhia recomenda que o investidor ou potencial investidor busque orientação financeira sobre o melhor produto a ser adquirido, observando a adequação ao seu perfil, antes de realizar qualquer tipo de investimento financeiro. A MAPFRE Investimentos, seus administradores e funcionários estão isentos de quaisquer responsabilidades sobre eventuais danos resultantes direta ou indiretamente da utilização das informações contidas neste informativo.

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Sobre a MAPFRE - No país desde 1992, a MAPFRE é um grupo multinacional que forma uma das maiores companhias de prestação de serviços nos mercados segurador, financeiro e saúde. Sólida e inovadora, está presente nos cinco continentes e conta com mais de 35 mil colaboradores. Em 2018, suas receitas atingiram cerca de 27 bilhões de euros, e o lucro líquido foi de 529 milhões de euros. Especialista nas suas áreas de negócio, a MAPFRE opera com bases de atividades sustentáveis e, no Brasil, atua em seguros, investimentos, consórcios, capitalização, previdência, saúde e assistência. A companhia ainda mantém a Fundación MAPFRE, instituição sem fins lucrativos, que promove e desenvolve atividades de interesse geral da população. Mais informações sobre produtos e soluções: www.mapfre.com.br

A unidade MAPFRE Investimentos é especializada na gestão de fundos de investimentos que atendem aos segmentos de pessoa física e jurídica, além de entidades de previdência complementar, totalizando hoje um volume superior a R$ 10 bilhões.

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