Ir para o conteúdo

MAPFRE Investimentos: Inflação está na perspectiva do mercado

São Paulo, 15 de abril de 2019 - Apesar do feriado, nessa semana há divulgação de dados relevantes. No exterior, contamos com a divulgação do PIB chinês no dia 16. Na quarta-feira (17), será a vez do CPI da União Europeia e do Livre Bege, compêndio da atividade econômica da economia norte-americana. De fato, contamos com a divulgação de diversos índices de preços nos próximos dias. Além do IGP-10, serão divulgados dados como IPC-S no dia 16, IPC-Fipe e o IGP-M no dia 17.

Diante disso, vale fazer diagnósticos da inflação corrente e prognósticos acerca da sua evolução futura. Nesse sentido, cabe comentar que o IPCA de março surpreendeu o mercado. A inflação de 0,75% é a maior dos últimos quatro anos para o mês. Taxas elevadas, que nos desacostumamos a ver, devem se repetir nos próximos meses. É verdade que os núcleos da inflação, medidas que expurgam os choques momentâneos do índice, estão aquém do número oficial, conforme figura abaixo. Essa disparidade, entretanto, não será duradoura: esperamos que a convergência entre o IPCA e seu núcleo aconteça a partir do mês de junho.

Três são os fatores que apontam para a manutenção da diferença entre o índice oficial e seus núcleos. Em primeiro lugar, os preços dos alimentos devem se manter em elevação nos próximos meses em virtude do efeito sazonal e das condições climáticas menos favoráveis que nos últimos dois anos. Em segundo, os reajustes nos preços da gasolina e do diesel levados a cabo pela Petrobrás neste ano, de 28,3% e 18,5% respectivamente, foram repassados apenas marginalmente para o consumidor final. Por fim, as tarifas de energia elétrica devem ser elevadas com a possível mudança da bandeira tarifária nos próximos meses.

A inflação, portanto, deve continuar elevada no segundo trimestre, trazendo o IPCA para próximo do teto da meta, mas com seus núcleos contidos. O resultado de março afastou, por ora, a possibilidade de mudança na taxa básica de juros ventilada pelo mercado. Os próximos resultados devem afastar completamente esta possibilidade. Quanto a convergência entre núcleos e índice, há duas possibilidades: ou os choques pontuais se dissipam e o IPCA converge para os núcleos, ou a economia volta a aquecer na esteira das medidas do novo governo e os núcleos convergem para o índice.

EMPRESAS E SETORES: Surfando ou remando contra a corrente?
Na última semana, o IBGE divulgou a Pesquisa Mensal do Comércio com os dados de fevereiro de 2019. Os números não trouxeram grandes novidades. Ao menos para quem já não estava esperando alguma retomada da economia. Entretanto, o que mais nos chamou a atenção não foram os números agregados e sim a dinâmica de cada segmento. Como pode ser observado no gráfico abaixo, o grande destaque positivo das vendas físicas foi o segmento Farmácias e Cosméticos, que conseguiu ter um bom desempenho nos últimos anos a despeito da recente crise econômica brasileira. Na ponta negativa e (chamando muita atenção) está o setor de Livros e Revistas, que caiu ao patamar de metade do que era em 2014.

Duas hipóteses que podem explicar a discrepância dos setores (não exaustivamente, obviamente) são a demografia e a disponibilidade dos pontos de venda. A pirâmide etária do Brasil está se modificando e se aproximando cada vez mais daquelas de países de alta renda. Resumindo em uma frase: as pessoas estão vivendo mais e tendo menos filhos. Esse efeito altera marginalmente a dinâmica de crescimento. É quase imperceptível. Porém, quando observamos um período mais longo, como no gráfico, criamos hipóteses sobre o impacto da demografia. Pessoas estão vivendo mais e consumindo mais remédios. Pessoas não estão nascendo, o que reduz o consumo de livros escolares.

A segunda hipótese que pode explicar a discrepância dos setores é a da disponibilidade dos produtos ao consumidor. Nos grandes centros urbanos está cada vez mais comum ver a abertura de grandes redes de farmácias, oferecendo mais produtos ao consumidor do que as antigas farmácias de bairro. Ao mesmo tempo, observamos também fechamentos de livrarias após a grave crise no setor, em virtude da concorrência com as varejistas online.

GESTÃO: Em estrada pedregosa vá de jipe e espere solavancos
Após os temores de hard landing da economia chinesa levantados no 1T19, foi recebido com alívio o superávit na balança comercial chinesa de março de US$ 32,6 bilhões, bem acima dos US$ 6 bilhões esperados, mostrando resiliência da 2ª maior economia do mundo e sinal de reação às medidas de estímulo fiscal e monetário adotados desde o final do ano passado. Os preços das commodities reagiram com otimismo à notícia, seja o petróleo, o minério de ferro e o cobre. Enquanto isso, os índices acionários americanos encontram-se nas máximas após ganhos de 0,7% na semana, impulsionados pelo início da temporada de resultados do 2T19, inaugurada pelos bancos – J.P. Morgan reportou na sexta lucro líquido de US$ 9,2 bilhões no período. Contudo, dado o formidável desempenho dos benchmarks desde o início do ano (trata-se de um dos melhores desempenhos para o período na história) vis-a-vis a desaceleração da economia americana no período, acredita-se haver considerável espaço para que frustrações com resultados levem a correções.

Conquanto não passe – por enquanto – de palpite, caso se materialize, será fator adicional de estresse sobre o já carregado cenário doméstico de curto prazo: pressões inflacionárias imprevistas nas mais recentes leituras, fraca atividade econômica, atrasos nas votações da PEC da Previdência e nova denúncia envolvendo o presidente da Câmara Rodrigo Maia em momento crucial da tramitação da reforma. Como cereja do bolo, o presidente Bolsonaro, atendendo às pressões dos caminhoneiros que ameaçavam com outra greve como a do ano passado, suspendeu aumento previsto de cerca de 5% para o diesel, fazendo retornar temores de ingerência sobre a política de preços da Petrobras. O recuo do presidente caiu como uma bomba sobre as ações da estatal, que lideraram as perdas do Ibovespa na semana, que recuou 4,4%, enquanto o dólar avançou ligeiros 0,2%, assim como os DIs, que apresentaram pequena abertura de prêmios na semana reagindo às recentes leituras da inflação corrente. Estes, não só desautorizam apostas de corte da Selic no curtíssimo prazo como inclusive já precificam pequena chance de elevação da Selic. Como se vê, solavancos não faltam. Para a próxima semana, destaque para os números do PIB e da Produção Industrial na China, e no cenário doméstico o IBC-Br.

DISCLAIMER - Este conteúdo foi criado pela MAPFRE Investimentos S/A (MAPFRE Investimentos) e é disponibilizado apenas para fins informativos. Sua finalidade exclusiva é emitir opiniões técnicas de cunho particular, acerca de possíveis movimentações do cenário atual do mercado que possam ocasionar eventuais impactos ao investidor e/ou potencial investidor. As informações, opiniões, estimativas e projeções apresentadas constituem concepção exclusiva da MAPFRE Investimentos, considerando a data atual e dados públicos confiáveis. Essas observações estão sujeitas a alterações sem aviso prévio a exclusivo critério da Empresa, que não tem obrigação de atualizar, modificar ou alterar este material. A MAPFRE Investimentos reforça que este conteúdo não é uma sugestão para a compra ou venda de qualquer instrumento financeiro nem tem a pretensão de indicar investimento pessoal e não leva em conta as características de investimentos específicos, a situação financeira e as necessidades particulares de qualquer pessoa que tenha acesso a este informe. A Companhia recomenda que o investidor ou potencial investidor busque orientação financeira sobre o melhor produto a ser adquirido, observando a adequação ao seu perfil, antes de realizar qualquer tipo de investimento financeiro. A MAPFRE Investimentos, seus administradores e funcionários estão isentos de quaisquer responsabilidades sobre eventuais danos resultantes direta ou indiretamente da utilização das informações contidas neste informativo.

________________________________________

Sobre a MAPFRE - No país desde 1992, a MAPFRE é um grupo multinacional que forma uma das maiores companhias de prestação de serviços nos mercados segurador, financeiro e saúde. Sólida e inovadora, está presente nos cinco continentes e conta com mais de 35 mil colaboradores. Em 2018, suas receitas atingiram cerca de 27 bilhões de euros, e o lucro líquido foi de 529 milhões de euros. Especialista nas suas áreas de negócio, a MAPFRE opera com bases de atividades sustentáveis e, no Brasil, atua em seguros, investimentos, consórcios, capitalização, previdência, saúde e assistência. A companhia ainda mantém a Fundación MAPFRE, instituição sem fins lucrativos, que promove e desenvolve atividades de interesse geral da população. Mais informações sobre produtos e soluções: www.mapfre.com.br

A unidade MAPFRE Investimentos é especializada na gestão de fundos de investimentos que atendem aos segmentos de pessoa física e jurídica, além de entidades de previdência complementar, totalizando hoje um volume superior a R$ 10 bilhões.

Voltar ao topo