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MAPFRE Investimentos: Mercado de trabalho em recuperação lenta

São Paulo, 10 de abril de 2019 - O Brasil passou por um dos períodos mais duros de sua história econômica recentemente. Mas as mazelas dessa fase recessiva ainda se fazem sentir, especialmente no mercado de trabalho. De acordo com os dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (PNAD), o percentual de pessoas que estavam à procura de emprego no último trimestre de 2018 representava 12% da força de trabalho. No mesmo período de 2013, antes da crise, este número era de apenas 6%.

O Estado tem feito mudanças nas relações de trabalho com a intenção de dinamizar a economia. Hoje já é mais fácil contratar e demitir. O período recessivo também ficou para trás. As eleições de 2018 trouxeram a legitimidade que faltava para os proponentes de política pública e os índices de confiança melhoraram significativamente. Mas será que este conjunto de acontecimentos é suficiente para provocar impulsionar a geração de empregos?

Se olharmos para a situação da mão de obra, fica evidente que não. Hoje, para cada oito pessoas ocupadas, existe uma a procura de emprego. A situação é semelhante à de 2016, quando estávamos no auge da crise. A deterioração do mercado de trabalho mora no detalhe. Apesar dessa proporção manter-se a mesma, o número de pessoas subocupadas cresceu 60%. Isto significa que a parcela de trabalhadores ocupados por 40 horas semanais está diminuindo, a despeito do crescimento econômico dos últimos dois anos.

A situação fica ainda pior se olharmos para o tempo que os desocupados estão longe do mercado de trabalho. Observa-se na figura a seguir que a parcela dos desempregados em busca de oportunidade há mais de um ano, hoje em 44%, está decaindo. Mas isso não significa que estes trabalhadores foram contratados: vale notar que a parcela dos desempregados há mais de um ano está aumentando. Mais de 56% dos desocupados encontra-se nessa situação. Destaca-se o crescimento da parcela de desempregados há mais de dois anos. Ou seja, o tempo médio de desemprego cresce.

Esse prolongamento do desemprego não é neutro do ponto de vista da retomada do crescimento. Quanto maior o período de afastamento desses trabalhadores do mercado, menor a aquisição de habilidades e conhecimentos que seriam obtidos caso fossem contratados. Diante disso, parte dessas pessoas não conseguirá se realocar em funções semelhantes. Mesmo em caso de readmissão em funções semelhantes, algumas terão de voltar com salários menores. Alternativamente, outra parcela dos trabalhadores terá de recomeçar uma nova profissão. Neste processo, perde-se o bônus de produtividade característico da mão de obra especializada necessária para a retomada do crescimento econômico. Sem dúvida, um círculo vicioso.

A gradual reabertura de vagas não afeta trabalhadores de diferentes níveis de instrução da mesma forma. Pelo contrário. Quanto menor o grau de instrução do trabalhador, maior a probabilidade deste estar desocupado (figura abaixo). A implantação de novas tecnologias em processos produtivos e de prestação de serviços constitui uma primeira hipótese explicativa para esse movimento. Não por acaso que trabalhadores menos qualificados são mais afetados também em outras economias. Se essa hipótese for verdadeira, a maior desocupação de trabalhadores menos escolarizados persistirá mesmo em momentos de maior dinamismo do mercado de trabalho.

Uma segunda hipótese para a maior desocupação de trabalhadores menos escolarizados é a possível ocupação de vagas de menor qualificação por trabalhadores mais escolarizados. Dado o maior tempo de desocupação, mencionado anteriormente, o trabalhador mais escolarizado aceitaria uma vaga de menor qualificação. Se esta segunda hipótese for verdadeira, as taxas de desocupação por faixas de escolaridade tenderiam a se igualar em momentos de maior dinamismo do mercado de trabalho. Em ambas as hipóteses mencionadas, entretanto, o que se pode dizer é que essa diferenciação da desocupação acentua ainda mais a concentração de renda.

O que esses fatores, a subocupação, o tempo de desocupação, e a diferenciação desta por faixas de escolaridade, nos dizem sobre a recuperação prospectiva do mercado do trabalho? Estes indicam que a recuperação em curso do mercado trabalho ainda não é consistente, robusta e convincente. A depender do perfil dessa recuperação gradual do mercado do trabalho até aqui, a recuperação do emprego ainda persistirá em marcha lenta nos próximos meses. Precisamos de resultados mais expressivos no mercado de trabalho para que esta lógica perversa não continue ditando o ritmo da economia doméstica.

Carta do gestor - Uma travessia de fortes tormentas

Março não foi propriamente um mês típico de contágio, turbulência internacional e liquidações forçadas ao estilo crise da Ásia ou subprime, mas foi pródigo em momentos de intensa volatilidade impulsionada pelos altos e baixos do noticiário político doméstico.

Terminada a 'lua de mel' dos 100 primeiros dias de governo, com indicadores de popularidade em baixa, os primeiros testes da longa travessia da reforma da Previdência foram permeados por sinais de desarticulação da base aliada, intensa troca de fogo amigo e episódios potencialmente disruptivos, a exemplo da prisão do ex-presidente e Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco, bem como as altercações protagonizadas pelo presidente Bolsonaro e seu clã e o presidente da Câmara Rodrigo Maia.

Principal termômetro atual para o desempenho dos ativos domésticos, o noticiário em torno da reforma da Previdência foi responsável por variações extremas nos preços dos ativos brasileiros em curtos períodos de tempo, tal qual o índice Ibovespa, que após atingir sua máxima acima dos 100 mil pontos, recuou em dez dias para abaixo de 92 mil pontos, enquanto o dólar saltou das proximidades de R$ 3,80 para mais de R$ 4,00 no mesmo período, com consequências ainda no mercado de DIs e praticamente à revelia das movimentações no cenário externo.

Estas, ao contrário das perspectivas gradativamente recessivas para as economias centrais verificadas no início do ano, suavizaram os sinais negativos sob uma série de circunstâncias benignas: i) a postura mais dovish e 'paciente' do Fed e do Banco Central Europeu, praticamente afastando as chances de elevação dos juros neste ano; ii) os avanços nas negociações entre EUA e China e a proximidade de um acordo comercial; iii) a nova rodada de estímulos fiscais e monetários promovidos pela China; e iv) a resultante continuidade da recuperação das principais commodities.

Os indicadores de atividade, por sua vez, seguiram mostrando fraqueza na margem, com revisões para baixo nas projeções de crescimento do PIB para o ano, maiores na zona do Euro e menores nos EUA – embora com surpresas pontuais positivas –, com estabilidade na China e expectativa de ligeira recuperação na atividade deste país após um primeiro bimestre surpreendentemente fraco. O diferencial de projeções entre EUA e zona do Euro se refletiu ainda no desempenho das moedas, com sensível fortalecimento do dólar, inclusive frente as principais moedas emergentes, bem como no mercado de renda fixa, com o rendimento dos Treasuries operando próximo das mínimas em um ano.

Como contraponto e sinal de atenção, o bom desempenho dos principais índices acionários mundiais levaram o índice composto MSCI All Country para suas máximas desde agosto de 2018, com um índice Preço / Lucro por Ação de aproximadamente 15 vezes, certamente um patamar de valuation com limitado upside dado o conjunto de riscos prospectivos.

Finalmente, a MAPFRE Investimentos obteve, em março, performance bastante próxima à dos índices de referência nos fundos de renda variável, apesar do impacto negativo decorrente do vencimento fora do preço de exercício de alguns instrumentos de proteção, compensados pela performance superior de ativos defensivos e dolarizados nos momentos de turbulência supracitados. Já nos multimercados, a gestora manteve performance excepcional em linha com os líderes no ranking da indústria de fundos, função da devolução de prêmios ao longo da curva de juros com efeitos positivos em nossas posições, bem como o êxito de apostas direcionais pontuais em moedas e commodities.

DISCLAIMER - Este conteúdo foi criado pela MAPFRE Investimentos S/A (MAPFRE Investimentos) e é disponibilizado apenas para fins informativos. Sua finalidade exclusiva é emitir opiniões técnicas de cunho particular, acerca de possíveis movimentações do cenário atual do mercado que possam ocasionar eventuais impactos ao investidor e/ou potencial investidor. As informações, opiniões, estimativas e projeções apresentadas constituem concepção exclusiva da MAPFRE Investimentos, considerando a data atual e dados públicos confiáveis. Essas observações estão sujeitas a alterações sem aviso prévio a exclusivo critério da Empresa, que não tem obrigação de atualizar, modificar ou alterar este material. A MAPFRE Investimentos reforça que este conteúdo não é uma sugestão para a compra ou venda de qualquer instrumento financeiro nem tem a pretensão de indicar investimento pessoal e não leva em conta as características de investimentos específicos, a situação financeira e as necessidades particulares de qualquer pessoa que tenha acesso a este informe. A Companhia recomenda que o investidor ou potencial investidor busque orientação financeira sobre o melhor produto a ser adquirido, observando a adequação ao seu perfil, antes de realizar qualquer tipo de investimento financeiro. A MAPFRE Investimentos, seus administradores e funcionários estão isentos de quaisquer responsabilidades sobre eventuais danos resultantes direta ou indiretamente da utilização das informações contidas neste informativo.

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Sobre a MAPFRE - No país desde 1992, a MAPFRE é um grupo multinacional que forma uma das maiores companhias de prestação de serviços nos mercados segurador, financeiro e saúde. Sólida e inovadora, está presente nos cinco continentes e conta com mais de 35 mil colaboradores. Em 2018, suas receitas atingiram cerca de 27 bilhões de euros, e o lucro líquido foi de 529 milhões de euros. Especialista nas suas áreas de negócio, a MAPFRE opera com bases de atividades sustentáveis e, no Brasil, atua em seguros, investimentos, consórcios, capitalização, previdência, saúde e assistência. A companhia ainda mantém a Fundación MAPFRE, instituição sem fins lucrativos, que promove e desenvolve atividades de interesse geral da população. Mais informações sobre produtos e soluções: www.mapfre.com.br

A unidade MAPFRE Investimentos é especializada na gestão de fundos de investimentos que atendem aos segmentos de pessoa física e jurídica, além de entidades de previdência complementar, totalizando hoje um volume superior a R$ 10 bilhões.

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