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MAPFRE Investimentos: Perspectivas para empregos na indústria

São Paulo, 8 de abril de 2019 - Serão revelados nesta semana indicadores diversos no Brasil e no exterior. Por aqui, contaremos com apresentação de dados importantes de inflação, como o IGP-DI, hoje, e o IPCA, na quarta-feira. Também serão publicadas pesquisas de atividade econômica, como a Pesquisa Mensal de Comércio e a Pesquisa Mensal de Serviços, nos dias 9 e 12, respectivamente.

Fora do país, serão divulgados dados de emprego nos Estados Unidos, amanhã, além de reuniões do Comitê de Política Monetária dos EUA (FOMC), e do Banco Central Europeu, ambas no dia 10.

No Brasil, a perspectiva de resultados pouco positivos das pesquisas de atividade econômica deve recolocar a discussão sobre a retomada no centro das atenções. O foco das preocupações se mantém no desempenho da indústria de transformação, que não apresenta sinais de retomada passados mais de dois anos da retração de 2015 e 2016. Pelo contrário. Há indícios de nova desaceleração da produção desse setor.

Recessões e retomadas econômicas geralmente afetam a relação entre produção e emprego. Em momentos recessivos, a produção tende a cair mais rapidamente do que o emprego por conta dos custos trabalhistas para o desligamento de funcionários. Nestes momentos, o empregador retarda suas decisões de demissão, prejudicando sua produtividade. Em momentos de retomada, por outro lado, o empresário demora nas contratações por conta dos custos de treinamento. Nestes casos, a produção tende a crescer mais rapidamente do que o emprego, favorecendo a produtividade.

A indústria brasileira não está imune a esses ciclos. Estes ficaram bem evidentes em, pelo menos dois períodos nos últimos anos, de 2008 a 2010 e de 2014 a 2018, conforme gráfico abaixo. Mas enquanto no primeiro houve recuperação da produção industrial; no segundo, houve estabilidade. Ou seja, a recuperação recente dessa relação resultou do corte de vagas. Mesmo sem reduções adicionais da produção, o empregador seguiu demitindo pois não havia perspectiva de aquecimento no longo prazo. A depender dessa percepção do empresário, novas contratações ocorrerão apenas quando e se a retomada, de fato, se consolidar. A convicção do empregador na retomada terá de ser mais acentuada do que no passado para ele abrir novos postos de trabalho. Em resumo, não vemos ainda perspectiva de melhora do emprego industrial.

Empresas e Setores: Setor de educação

O setor de educação vive um novo momento em bolsa, depois de apresentar um desempenho muito pior que o Ibovespa ao longo de 2018 e início de 2019. O investidor volta a demonstrar interesse no segmento.

As empresas são relativamente grandes; as ações, líquidas e com uma vertente de crescimento interessante: o Ensino a Distância (EaD). Agora, as matrículas aparentam estar em níveis mais sustentáveis. A dependência do programa FIES diminuiu em todas as empresas listadas. Os alunos financiados pelo governo, portanto, já não representam a maioria dos novos entrantes.

Apesar disso, a concorrência está forte nas regiões Nordeste e Norte e no Rio de Janeiro. A "capacidade instalada" subiu com as aberturas de novas unidades. Algumas praças ficaram superofertadas, comparadas com a pequena demanda por cursos. Os possíveis futuros alunos têm receio de comprometer tempo e renda por quatro ou cinco anos de suas vidas. O ciclo econômico ainda influencia. Porém, pelas conversas que tivemos com as educacionais, o pior parece ter ficado para trás.

Mesmo com preços mais baixos, não é necessário ser irracional nos descontos. Dosar o nível dos descontos é o nome do jogo em 2019. Não adianta ter estudantes e não ter lucro. Também não adianta querer ter margem alta, e o preço das mensalidades atrair poucos alunos.

Este ano pode ser bom para fusões e aquisições no setor. Os vendedores, normalmente faculdades menores, viram que os seus ativos não valem tanto quanto seus donos pensavam. Sabem que não serão precificados a 15x EBITDA (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Os compradores foram reavaliados em bolsa, também não valem mais módicos 5x EBITDA. Executivos têm falado que aquisições podem sair ao redor dos 10x-12x EBITDA.

Algumas empresas ainda estão inaugurando seus respectivos cursos à distância. A evasão, que já é grande nos primeiros anos, fica ainda maior em um curso a distância. Por outro lado, no caso de inadimplência, a renegociação é mais simples, pois as mensalidades nesta modalidade são substancialmente menores.

Um risco que ainda permanece no radar são os financiamentos próprios das empresas aos estudantes. Esse tópico ainda traz receio aos investidores. Abaixo, o desempenho das ações do setor comparadas ao Ibovespa.

Gestão: Chuck Norris e o fantástico mundo de Guedes

Segundo reza a lenda, Chuck Norris dispensava coletes à prova de balas: não era ele quem saía machucado, e sim as balas que se esmagavam ao mero contato com seu corpo. Seguindo o raciocínio, fomos brindados na tarde da última quarta-feira (3 de abril) com a olímpica jornada do superministro Paulo Guedes na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara em defesa da reforma da Previdência.

Sob intensos ataques e provocações de veteranos da oposição, alguns pontos ficaram evidentes naquele embate: Paulo Guedes não articula o meio-de-campo da reforma, cobra escanteio, corre à área, mata no peito e marca de bicicleta; Paulo Guedes dispensa o apoio insípido de governistas neófitos, em uma arena cheia de opositores raivosos, é um leão a devorar gladiadores no Circo Máximo; e acima de tudo, sob as falas de Paulo Guedes, os ativos brasileiros são foguetes, sua força não se mede em cavalos de potência e sim em potência fiscal.

Apesar da turbulência gerada nas mesas de operações, os agentes do mercado saíram com a alma lavada, e o dia seguinte selou uma semana mais tranquila que a anterior: a reunião de Bolsonaro com líderes partidários rendeu efusivas manifestações de apoio à reforma, que encerra a semana com data prevista para votação na CCJ. Resultado: Ibovespa em alta semanal de 1,8%, dólar recuando 1,5%, e DIs devolvendo prêmios ao longo da curva.

De novidade no cenário externo, o Payroll referente a março apontou a criação de 196 mil postos de trabalho nos EUA contra 177 mil esperados, afastando chances de recessão e fortalecendo o dólar. Já entre mais do mesmo, rumores sobre um acordo comercial abrangente entre EUA e China estão mais fortes do que nunca, os pedidos das fábricas na Alemanha recuaram 4,2% em março ante o ano anterior, e a definição sobre um acordo relativo ao Brexit se arrasta mais que o Carnaval de Salvador, sob a marchinha "Me dá mais um tempo aí!"

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Sobre a MAPFRE - No país desde 1992, a MAPFRE é um grupo multinacional que forma uma das maiores companhias de prestação de serviços nos mercados segurador, financeiro e saúde. Sólida e inovadora, está presente nos cinco continentes e conta com mais de 35 mil colaboradores. Em 2018, suas receitas atingiram cerca de 27 bilhões de euros, e o lucro líquido foi de 529 milhões de euros. Especialista nas suas áreas de negócio, a MAPFRE opera com bases de atividades sustentáveis e, no Brasil, atua em seguros, investimentos, consórcios, capitalização, previdência, saúde e assistência. A companhia ainda mantém a Fundación MAPFRE, instituição sem fins lucrativos, que promove e desenvolve atividades de interesse geral da população. Mais informações sobre produtos e soluções: www.mapfre.com.br

A unidade MAPFRE Investimentos é especializada na gestão de fundos de investimentos que atendem aos segmentos de pessoa física e jurídica, além de entidades de previdência complementar, totalizando hoje um volume superior a R$ 10 bilhões.

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