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MAPFRE Investimentos: Diagnóstico da evolução do crédito

São Paulo, 26 de agosto de 2019 – Nessa semana de 26 de agosto haverá a divulgação de dados relevantes. Nos Estados Unidos, destacam-se as divulgações do PIB do segundo trimestre e do deflator do consumo das famílias nos dias29 e 30, respectivamente. Esses indicadores têm potencial de impacto na paridade do dólar e na taxa de juros dos títulos do Tesouro norte-americano. No Brasil, destaca-se a divulgação do PIB do segundo trimestre no dia 29, além das notas do BC de setor externo, de operações de crédito e de política fiscal nos dias 26, 28 e 30, respectivamente.

A nota de operações de crédito pode reforçar alguns pontos de atenção já observados em meses anteriores. Primeiro, a relação entre crédito e PIB segue contida e estável em nível abaixo de 50%. Segundo, o comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas cresce na margem, conforme figura 1 abaixo. Esse crescimento aumenta mais em razão do pagamento de juros do que por conta do pagamento do principal de créditos contratados, o que não é positivo. Por fim, a trajetória do spread bancário é de alta.

Mas a nota de operações de crédito também pode confirmar tendências positivas. A inadimplência encontra-se em trajetória de queda. Uma segunda notícia positiva refere-se à composição do endividamento das famílias. Este é maior quando se considera o crédito habitacional, conforme figura 2 abaixo. A diferença entre o endividamento das famílias com e sem crédito habitacional vem aumentando ao longo do tempo. Ou seja, o endividamento é crescente, mas cada vez mais em virtude de créditos de longo prazo, o que é positivo. Não por acaso, o prazo médio das operações de crédito vem aumentando.

Em resumo, pode-se dizer que ainda estamos em processo de desalavancagem do elevado endividamento das famílias contratado em anos anteriores que. Essa desalavancagem é dificultada pela evolução gradual da renda das famílias. Mas esse processo vem sendo conduzido com diligência pelas famílias. Daí a redução da inadimplência. Curioso que mesmo com essa redução da inadimplência, o spread bancário se mantenha em elevação. Isso denota cada vez mais a relevância da continuidade de medidas microeconômicas para aperfeiçoar o mercado de crédito.

EMPRESAS E SETORES: Queda nas exportações para Argentina

A Argentina é o terceiro país mais importante na balança de exportação brasileira, sendo responsável no acumulado até julho por um total de R$ 5,9 bilhões. Este dado tem preocupado diversos setores da economia brasileira que têm visto o volume de pedidos despencar ao longo do ano.

A lista de problemas no país vizinho não é pequena. Dentre eles, destaca-se a crise cambial, a inflação acima dos 50%, a taxa de juros de 74% ao ano, a taxa de de desemprego próxima de 12%, a crise política e as eleições que ocorrem em outubro. Na última semana, as pesquisas eleitorais indicaram uma possível derrota do presidente Maurício Macri para o peronista Alberto Fernández e sua vice, a ex-presidente Cristina Kirchner, trazendo mais incertezas no cenário econômico.

O impacto da crise tem afetado as exportações de diversos setores brasileiros. Os itens com maior participação apresentaram quedas em seus volumes. O setor de automóveis sofreu uma queda de 50% e o setor de peças para automóveis e tratores, queda de 29%. A Argentina é o principal destino dos produtos manufaturados brasileiros. Neste ano, as exportações do grande grupo sofreram redução de 25%.

  As medidas econômicas de incentivos para o setor automotivo na Argentina divulgadas em junho não foram suficientes para interromper o declinío das exportações brasileiras. Não dá para esperar que as medidas anunciadas na última semana, como bônus de 5 mil pesos para funcionários públicos e redução de impostos possam melhorar o resultado no curto prazo.

GESTÃO: Em Jackson Hole o buraco é mais embaixo

Havia tudo para ser uma semana tranquila, se é que isso existe no mercado financeiro. Índices acionários domésticos e no exterior recuperando parte do terreno perdido nas últimas semanas; 43.820 postos de trabalho criados no Brasil em julho confirmando ritmo de tímida recuperação; anúncio de novas privatizações; avanços nas reformas; anúncio de novas linhas para o financiamento imobiliário; governo fazendo a sua parte.

Lá fora, todas as atenções estiveram voltadas para o encontro dos bancos centrais do mundo, em Jackson Hole (Wyoming, EUA), a partir da quinta-feira, com destaque para a fala do chairman do Fed no dia seguinte. Ainda na sexta, o dia começou com o anúncio, pela China, da elevação de tarifas a exportações americanas de automóveis para 25%, entrando em vigor em dezembro, e da elevação de tarifas para soja e petróleo americanos em 5%, entrando em vigor em setembro.

A escalada na guerra comercial caiu como uma bomba nos mercados e amplificou as incertezas quanto à desaceleração da economia mundial. Houve aumento da aversão ao risco, com quedas superiores a 2% nos pincipais índices acionários, acompanhada por uma fuga para segurança dos Treasuries e metais preciosos, que operaram próximos das máximas do ano. Nem o tom mais acomodatício para a política monetária na fala do chairman do Fed foi suficiente para aplacar o movimento de aversão ao risco, neutralizado pelos raivosos e acusativos tuítes do presidente Donald Trump dirigidos à China, reduzindo ainda mais as chances de obtenção de um acordo até o final deste ano.

Nessa semana, vale destacar no Brasil a divulgação na quarta-feira (28) da Nota de Política Monetária e Operações de Crédito referente a julho (anterior +0,4% M/M) e na quinta-feira (29) para os dados do PIB do 2T19 (-0,2% T/T). No cenário externo, destaque nos EUA para a divulgação do PIB do 2T19 (esperado +2,0% anualizado), em 29.

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Sobre a MAPFRE - No país desde 1992, a MAPFRE é um grupo multinacional que forma uma das maiores companhias de prestação de serviços nos mercados segurador e financeiro. Sólida e inovadora, está presente nos cinco continentes e conta com mais de 35 mil colaboradores. Em 2018, suas receitas atingiram cerca de 27 bilhões de euros. Especialista em suas áreas de negócio, a MAPFRE opera com bases de atividades sustentáveis e, no Brasil, atua em seguros, investimentos, consórcios, capitalização, previdência, saúde e assistência. A companhia adota compromissos internacionais como os Princípios para a Sustentabilidade em Seguros (PSI) e integra o Pacto Global da ONU (Organização das Nações Unidas). Também mantém a Fundación MAPFRE, instituição sem fins lucrativos, que promove e investe em pesquisas, estudos e atividades de interesse geral da população. Mais informações em www.mapfre.com.br

A MAPFRE Investimentos é especializada na gestão de fundos de investimentos que atendem aos segmentos de pessoa física e jurídica, além de entidades de previdência complementar, totalizando um volume superior a R$ 10,5 bilhões.

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