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MAPFRE Investimentos: O que esperar das vendas do comércio varejista

São Paulo, 5 de agosto de 2019 – Nesta semana, serão divulgados indicadores econômicos de destaque. No exterior serão divulgados os dados do Bureau of Labor Statistics referente a criação de vagas de trabalho. No Brasil, a ata do Copom e o IPCA nos dias 6 e 8, respectivamente, serão notícia. Mas o foco será a atividade econômica, já que a Anfavea divulgará dados do setor automobilístico, amanhã (6). Além disso, o IBGE divulgará a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) e a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) nos dias 7 e 9, respectivamente.

A MAPFRE Investimentos estima que a PMC revele retração das vendas do comércio varejista em junho no conceito restrito e aumento no ampliado. Mais importante do que isso, entretanto, é estimar a evolução prospectiva do consumo. Para tanto, há pelo menos três pontos a considerar. Primeiro, vale conferir a confiança dos consumidores. O Índice Nacional de Expectativas do Consumidor, da CNI, revela que a confiança segue negativa e em queda há dois trimestres. Destaca-se negativamente a percepção do consumidor acerca da sua própria situação financeira.

O segundo ponto refere-se às concessões de crédito ao consumidor. A evolução recente das concessões de crédito dessazonalizadas e deflacionadas vem sendo positiva. Mas, com exceção do crédito consignado, o volume de concessões de crédito está aquém do de meados de 2013, conforme figura 1. As condições de crédito ao consumo tampouco são promissoras, conforme figura 2. A demanda dos consumidores por crédito, mais do que a oferta de crédito pelos bancos, não favorece novas concessões.

O terceiro ponto refere-se ao mercado de trabalho. Vale notar que a taxa de desemprego segue estável em termos dessazonalizados. Há alguns sinais de piora em relação às edições anteriores, em especial no que se refere ao trabalho formal. O crescimento da população ocupada concentra-se no avanço de trabalhadores informais. O comportamento do rendimento real também gera apreensão.

Em resumo, as condições para a retomada das vendas do comércio varejistas ainda são evidentes. É verdade que há iniciativas para que esse quadro seja revertido, como as medidas de liberação do FGTS, a redução da taxa Selic e o lançamento da "Semana do Brasil". É possível que tais iniciativas proporcionem algum alento ao consumo. Mas a retomada efetiva do consumo seguirá condicionada pela confiança do consumidor, pelas concessões de crédito e, em especial, pelo mercado de trabalho. É para lá que as atenções devem se voltar.

EMPRESAS E SETORES: Desaceleração do setor automotivo

As principais economias no mês de julho sofreram com o fraco desempenho do setor industrial e com as tensões comercias entre EUA e China. Nos EUA, o Instituto para Gestão de Oferta (ISM) apresentou seu pior resultado de atividade econômica desde de 2006. Na Europa, as fábricas estão sofrendo com o impasse comercial entre EUA e China e com as incertezas da Zona do Euro, em especial o Brexit. No Brasil não foi diferente. Os dados da produção industrial de automóveis de junho apresentaram queda de 2,1% em comparação com o mês anterior em termos dessazonalizados.

O enfraquecimento da indústria mundial afeta diversos setores da economia brasileira. Dentre eles está o setor automotivo. Ao analisar os números do setor é possível identificar que os dados indicam retração da produção de 12% ante o mesmo mês do ano anterior. Os destaques negativos ficam a cargo dos fabricantes de peças e acessórios para transporte (-3,48%) e equipamentos de transporte industrial (-7%).
No primeiro semestre, os resultados das empresas do setor poderão trazer um desempenho abaixo da expectativa, refletindo o cenário de retração da indústria automotiva global.

Na última quinta-feira, 1 de agosto, a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (FENABRAVE), divulgou os dados de vendas do mês de julho. Os números dessazonalizados apresentaram piora nas vendas quando comparado com o mês de junho. As vendas de automóveis sofreram uma queda de 6%, comerciais leves de 3%, ônibus de 7% e caminhões, que estavam crescendo nos últimos períodos, uma retração de 8%.

O resultado é um balde de água fria no setor, que, no primeiro trimestre do ano, apresentava um desempenho superior aos demais da economia. Esse cenário reforça a visão da FENABRAVE, cujas projeções de crescimento passaram de 11% para 8% em 2019, justificadas por um PIB menor, desemprego em alta, desenrolar das reformas e queda na confiança doas agentes econômicos.

GESTÃO: Fed hawkish, BC dove, tweets atômicos e dólar violino
Na semana passada foi possível notar fortes movimentos nos mercados de moedas e renda fixa. De um lado, o amplamente aguardado corte de 0,25% do Fed Funds Rate, embora bem recebido inicialmente, trouxe em seu comunicado muito mais dúvidas que certezas. Com efeito, ao contrário das decisões que pontuaram o início de ciclos de afrouxamento monetário, nesta houve dissenso de 2 membros (de um total de 10) quanto à adequação do corte. Além disso, em seu comunicado, o chairman do Fed frustrou aqueles que esperavam ver no corte o início de um ciclo mais profundo de afrouxamento monetário, limitando-se a dizer que cortes adicionais futuros não estão descartados, mas condicionados à evolução do nível de atividade que, segundo o órgão, segue saudável. Feito este "seguro" contra a desaceleração econômica, Jerome Powell acrescentou em sua fala que a diminuição do balanço do Fed e o término do quantitative easing (programa de compra de títulos destinado ao fomento da liquidez) seria antecipado em pelo menos dois meses. Em suma, o Federal Reserve produziu o que se pode chamar de corte de juros hawkish, gerando confusão e volatilidade no mercado, especialmente no dólar, que se valorizou fortemente frente aos principais pares nos 20 minutos de duração da fala de Powell. Na ponta oposta, o BC surpreendeu o mercado ao também iniciar seu ciclo de distensão com um corte de 0,5% na taxa Selic, e assim permitindo antever cortes adicionais. A bolsa respondeu com entusiasmo no dia seguinte, com o Ibovespa chegando a subir mais de 2% no meio da tarde, porém a euforia durou pouco. O presidente Donald Trump deu continuidade ao seu já costumeiro spoofing virtual, anunciando que imporá tarifas adicionais de 10% sobre US$ 300 bilhões em exportações chinesas, lançando ondas de choque que percorreram os mercados, beneficiando portos seguros como o ouro e prejudicando os ativos de risco como ações, além de muita apreensão. Para a próxima semana, destaque no Brasil para a divulgação da ata da última reunião do Copom na terça-feira, e para o IPCA referente a julho (esperado +0,3%) na quinta-feira. Já nos EUA, destaque para a divulgação do PMI de Serviços referente a julho (anterior 52.2) na segunda-feira.

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Sobre a MAPFRE - No país desde 1992, a MAPFRE é um grupo multinacional que forma uma das maiores companhias de prestação de serviços nos mercados segurador e financeiro. Sólida e inovadora, está presente nos cinco continentes e conta com mais de 35 mil colaboradores. Em 2018, suas receitas atingiram cerca de 27 bilhões de euros. Especialista em suas áreas de negócio, a MAPFRE opera com bases de atividades sustentáveis e, no Brasil, atua em seguros, investimentos, consórcios, capitalização, previdência, saúde e assistência. A companhia adota compromissos internacionais como os Princípios para a Sustentabilidade em Seguros (PSI) e integra o Pacto Global da ONU (Organização das Nações Unidas). Também mantém a Fundación MAPFRE, instituição sem fins lucrativos, que promove e investe em pesquisas, estudos e atividades de interesse geral da população. Mais informações em www.mapfre.com.br.

A MAPFRE Investimentos é especializada na gestão de fundos de investimentos que atendem aos segmentos de pessoa física e jurídica, além de entidades de previdência complementar, totalizando um volume superior a R$ 10,5 bilhões.

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