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MAFPRE Investimentos: Balança comercial em foco

São Paulo, 18 de fevereiro de 2019 – A semana do dia 18 de fevereiro, mesmo com o feriado nos Estados Unidos, reserva divulgações relevantes. No exterior, contaremos com 2 divulgações de peso. Nos EUA, primeiramente, será divulgada no dia 20 a ata da última reunião do FOMC, o Comitê de Política Monetária do Federal Reserve.  Além disso, a União Europeia divulgará o seu índice de preços ao consumidor no dia 22. Ambas as divulgações têm potencial de impacto em taxas de juros e de câmbio. No Brasil, por fim, os destaques ficam por conta do IPCA-15 e da PNAD nos dias 21 e 22, respectivamente. 

Há, todavia, algo que demanda um olhar cuidadoso e que não está entre as divulgações mais esperadas da semana: a balança comercial brasileira. Os dados consolidados dos primeiros 45 dias do ano apresentam superávit nas transações comerciais com o resto do mundo, embora em menor magnitude do que no mesmo período do ano anterior. Apesar do decréscimo, o resultado é satisfatório. O fato, entretanto, é que estes números estão na esteira dos acontecimentos do ano anterior. Neste ano, as relações de troca devem ganhar novos contornos por dois motivos, a saber: a manifesta vontade do governo em modificar os laços comerciais e a desaceleração da economia chinesa.

Em relação ao primeiro motivo, sob o véu da extinção dos negócios motivados ideologicamente, assistimos ao esforço brasileiro para se reaproximar dos Estados Unidos, que já foi o principal demandante dos produtos brasileiros. Assistimos também à indiferença brasileira em relação aos países e blocos periféricos que hoje são parceiros comerciais importantes, como Oriente Médio e as nações latino-americanas, destino de aproximadamente 1/4 das exportações brasileiras.

No que concerne à China, a desaceleração do crescimento econômico e a guerra comercial com os Estados Unidos deve respingar nos trópicos. Nota-se no gráfico abaixo queda da demanda das exportações brasileiras. Os embargos dos últimos meses geraram estoques elevados de soja, derrubando o preço de um produto relevante comercialmente para os menores patamares dos últimos anos. Esta situação é duplamente preocupante porque sinaliza demanda menor e preços menores, de modo que o movimento dos primeiros 45 dias tende a se intensificar por todo o ano, diminuindo paulatinamente o saldo comercial brasileiro, um dos maiores trunfos econômicos dos últimos anos.



Empresas e Setores: Setor de autopeças no Brasil
O mercado brasileiro de autopeças apresentou em 2018 alta na produção de 6,7%, nas vendas de 14,6%, porém queda nas exportações de 17,9%.  A balança comercial de autopeças brasileira tem sido impactada pela crise argentina, destino de 25,7% das exportações de autopeças. Os dados observados em 2018 demonstram uma queda de 9,5% nas exportações para o país vizinho.

Em 2018, o setor de autopeças argentino foi impactado pelos efeitos do setor automotivo como um todo no país. Este apresentou queda de 38% na produção, queda de 26% nas exportações e de 46% nas vendas. A situação interna tem se agravado, pois os produtores estão enfrentando desafios devido às altas taxas de juros para financiar o capital de giro das empresas, à redução dos impostos para importação de peças para produção nacional, à apreciação do dólar e à redução dos incentivos do Governo.

As projeções para o setor de automóveis na Argentina continuam apontando para um declínio em 2019. Em relatório divulgado pela ABECEB, consultoria argentina especializada no setor, os dados indicam uma projeção de vendas de 335 mil unidades no primeiro semestre de 2019. Isso representa uma considerável queda de 33% ante 2018, que já foi um ano com volume de vendas abaixo das expectativas. O colapso se mantem e poderá nos próximos três meses levar até a uma restruturação do quadro de funcionários das empresas conforme citado pela Associação de Fábricas de Componentes Automotores (AFAC).

A divulgação de resultados de empresas brasileiras de capital aberto com exposição à Argentina deverá trazer números mais fracos ao longo de 2019 devido às perspectivas ainda difíceis e um cenário de indecisão eleitoral. Nos próximos dias, empresas como Metal Leve, Fras-Le, Iochpe-Maxion e Randon divulgarão seus resultados do 4T18 e possivelmente passarão expectativas e impactos em seu volume de exportações.

Gestão: De crise em crise se apresenta Previdência
No princípio havia o Queiroz. Depois fez-se Carlos versus Bebianno. Mas ao final da semana, havia a Previdência, e o mercado descansou. Mantra de todos os mantras, a supernova que ofusca quaisquer crises políticas de bastidor, laranjais, pessimismos e apreensões reais ou imaginários da ordem do dia. Foi dada a largada para a reforma da Previdência. Na proposta aprovada pelo presidente a ser apresentada ao Congresso, foi mantida idade mínima de 65 anos para homens e 62 anos para mulheres, com tempo de transição de 12 anos e economia prevista de R$ 1 trilhão em 10 anos, entre outros destaques. Ponto para a capacidade de persuasão do ministro Paulo Guedes.

Divulgada na quinta-feira, na última parte da sessão, a proposta foi recebida com euforia pelos investidores, fazendo o Ibovespa disparar 1.500 pontos na reta final do pregão e o dólar devolver todo ganho acumulado na semana - a despeito do pessimismo no cenário externo causado pela queda de 1,2% nas vendas do varejo nos EUA em dezembro - e deixando para trás os pretextos para o movimento de realização de lucros verificado na semana anterior.

Já há quem diga que a Suíça é aqui. O fato é que a inflação controlada, acompanhada da desaceleração coordenada das economias centrais, liderada pela Zona do Euro e seguida de perto pelos EUA, desautoriza novas elevações das taxas de juros e comprime o rendimento dos títulos do Tesouro destes países, disparando a busca por maiores retornos através do mundo. E contra fluxo não há argumentos, pelo menos até a próxima turbulência. Dólar em queda de 0,8% na semana, Ibovespa +2,2% e forte devolução de prêmios na curva de juros sobretudo nos vértices mais longos.

Para a próxima semana, destaque no cenário externo para, nos Estados Unidos, a Ata do Comitê de Mercado Aberto do FED e, no Brasil, para a divulgação do IPCA-15, bem como a expectativa em torno da apresentação da reforma da Previdência ao Congresso Nacional e o início de sua tramitação.


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