Ir para o conteúdo

MAPFRE Investimentos aponta riscos inflacionários em 2019

São Paulo, 4 de fevereiro de 2019 – Esta semana está marcada pela divulgação de dados importantes relacionados a inflação e atividade econômica no exterior e no Brasil. No cenário internacional, será divulgado o deflator de dados de consumo das famílias norte-americanas de dez18, indicativo da inflação ao consumidor nos EUA. Enquanto isso, no Brasil, contaremos com informações da indústria automobilística, como os números da Fenabrave e da Anfavea, nos dias 5 e 6 respectivamente. Vale ressaltar que a semana contará com a reunião do Comitê de Política Monetária no dia 6. Por fim, serão divulgados o IGP-DI e o IPCA, ambos de jan18, nos dias 7 e 8, respectivamente.

Em relação ao IPCA, a expectativa é de que o índice de janeiro fique em torno de 0,40%, e, ao fim de 2019, entre 3,7% e 4%, abaixo da meta do Banco Central pelo terceiro ano consecutivo. O sentimento do mercado é um indício de que as expectativas estão bem ancoradas, mas a economia é dinâmica e os preços respondem rapidamente a choques que não são abarcados pelas projeções dos analistas. Neste contexto, quais são os principais riscos para a inflação em 2019?

Os custos são determinantes para a formação do preço de diversos itens que compõe o IPCA, entre eles, alimentação fora de domicílio, que sozinha responde por 5% do índice. Nos últimos dois anos, a condição climática foi extremamente favorável para o cultivo de legumes e verduras e permitiu que os preços dos produtos que chegavam até o consumidor final se mantivessem baixo. Neste ano, porém, a condição climática deve afetar a produtividade. Com isso, podemos esperar aumentos nos preços ao consumidor.

Há, também, outros fatores que interferem na formação de preços. O aquecimento da economia é um deles. Essa questão afeta principalmente o setor de serviços, que representa aproximadamente 35% do IPCA. Se, por um lado, demandamos mais lazer em tempos de bonança, por outro, a mão-de-obra de alguns serviços torna-se mais escassa porque surgem oportunidades de empregos melhores em outros setores da economia.  

Além disto, alguns itens como preços administrados podem ter a forma de reajuste modificada pelo novo governo, causando impacto no IPCA. É o caso do botijão de gás. O movimento deve ser semelhante ao que ocorreu com a gasolina em 2017 e com a energia elétrica em 2015: um reajuste percentual de 2 dígitos sobre o preço final do produto.

Em resumo, é verdade que a situação do IPCA é confortável neste momento, mas ela deve-se a inércia provocada pelo conjunto de situações que aconteceram no passado recente. Estes movimentos podem não se repetir em 2019. Embora os riscos mencionados acima não estejam na iminência de acontecer, eles não podem ser desprezados.

RENDA VARIÁVEL:  Setores de mineração e de locação de automóveis
Setor de mineração - Praticamente todos os participantes do mercado financeiro conhecem a expressão “cisne negro”. A ideia desenvolvida por Nassim Taleb, descreve um acontecimento altamente improvável, de grandes consequências e que, depois de ocorrido, parece mais previsível do que realmente era. Entretanto nem todos conhecem a expressão “rinoceronte cinza”. A ideia desenvolvida por Michele Wucker está relacionada com os perigos óbvios que ignoramos. Seu livro desenvolve a ideia de que continuamos falhando em lidar com perigos grandes e óbvios antes que eles saiam do controle.
O desastre de Brumadinho, grande tema da semana, poderia ter sido um cisne negro. Poderia, se não tivesse ocorrido o desastre de Mariana há cerca de três anos. A Vale foi punida pelos investidores com uma perda no valor da empresa de R$ 75 bilhões no pregão após o ocorrido. A empresa será punida pelas autoridades e tem a sua imagem afetada novamente. Ainda que os fluxos financeiros se recuperem no médio prazo, a imagem da empresa demandará mais tempo para se recuperar.

Setor de locação de veículos - As empresas do setor de locação de veículos vêm conhecendo um momento favorável por conta do crescimento da demanda. Um dos motivos é a mudança de hábito da população brasileira nos grandes centros urbanos, com a possibilidade de usar o veículo por meio de aplicativos de transporte para as suas viagens ao invés de comprá-lo.

Com o mercado de trabalho impactado pela recessão econômica, taxas de desemprego na casa dos 11,6% (IBGE), muitos trabalhadores migram para a informalidade e realização de tarefas sob demanda. Uma das possibilidades entre os desempregados é a de oferecer serviços de mobilidade urbana.

Localiza, Movida, Unidas, de forma assertiva, conseguiram enxergar nesse contexto uma oportunidade de negócios. As locadoras firmam parcerias com os principais aplicativos (Uber, 99 e Cabify) e passaram a oferecer planos mensais exclusivos para motoristas cadastrados. Atualmente, algo próximo a 20% do segmento de aluguel de carros está direcionado para motoristas que prestam serviço por esse tipo de aplicativos, garantindo contratos mais longos para as locadoras.

GESTÃO: Fed muda o tom e palavra de ordem é ‘paciência’
Após quatro semanas consecutivas de valorização na bolsa, as ações brasileiras fizeram uma parada técnica, com investidores realizando lucros em meio à temporada de resultados corporativos. Apesar do início tumultuado devido ao desastre causado pela Vale em Brumadinho, o Ibovespa se recuperou ao longo da semana e fechou próximo da estabilidade, com ligeira alta de 0,19%. A recuperação das ações se deu pari passu à forte queda do dólar, seja pelo fluxo de estrangeiros que começa a tomar corpo e está positivo no ano, seja pela mudança de tom do Federal Reserve em relação aos próximos passos da política monetária, comunicados pelo chairman Jerome Powell.

No comunicado foi substituída a menção a ‘aumentos graduais de juros’ por uma de ‘paciência’ no acompanhamento da evolução dos agregados econômicos e seu balanço de riscos, que aliás começam a preocupar mais pelo downside do que pelo upside, função do esgotamento dos impulsos fiscais do que se convencionou chamar de Trumpnomics e seus efeitos colaterais deletérios, como aumento do déficit fiscal e estímulos ao endividamento de famílias e empresas. Além do alívio trazido para os ativos de risco – o S&P subiu cerca de 1,4% na semana - isto explica em parte as quedas relativas do dólar frente a suas peers ao redor do mundo – queda de mais de 3% frente ao Real, com pitoresco episódio de “dedo gordo*” na sexta -, bem como a valorização dos metais preciosos, com destaque para o ouro e a prata, que subiram cerca de 1% na semana e já acumulam alta de quase 3% no ano. Os DIs acompanharam este movimento devolvendo prêmios ao longo da curva, beneficiados ainda pela sequência de comedidos indicadores inflacionários. Para a próxima semana, destaque nos EUA para a divulgação do PCE (inflação) e no Brasil para a reunião do COPOM, além do IPCA referente a janeiro. Espera-se também para a próxima semana a repercussão das eleições das mesas diretoras da Câmara e do Senado, com expectativa crescente pela apresentação pelo Governo das propostas para as reformas.

*dedo gordo: erros operacionais de gestores ou traders que distorcem momentaneamente o mercado


DISCLAIMER - Este conteúdo foi criado pela MAPFRE Investimentos S/A (MAPFRE Investimentos) e é disponibilizado apenas para fins informativos. Sua finalidade exclusiva é emitir opiniões técnicas de cunho particular, acerca de possíveis movimentações do cenário atual do mercado que possam ocasionar eventuais impactos ao investidor e/ou potencial investidor. As informações, opiniões, estimativas e projeções apresentadas constituem concepção exclusiva da MAPFRE Investimentos, considerando a data atual e dados públicos confiáveis. Essas observações estão sujeitas a alterações sem aviso prévio a exclusivo critério da Empresa, que não tem obrigação de atualizar, modificar ou alterar este material. A MAPFRE Investimentos reforça que este conteúdo não é uma sugestão para a compra ou venda de qualquer instrumento financeiro nem tem a pretensão de indicar investimento pessoal e não leva em conta as características de investimentos específicos, a situação financeira e as necessidades particulares de qualquer pessoa que tenha acesso a este informe. A Companhia recomenda que o investidor ou potencial investidor busque orientação financeira sobre o melhor produto a ser adquirido, observando a adequação ao seu perfil, antes de realizar qualquer tipo de investimento financeiro. A MAPFRE Investimentos, seus administradores e funcionários estão isentos de quaisquer responsabilidades sobre eventuais danos resultantes direta ou indiretamente da utilização das informações contidas neste informativo.

Sobre a MAPFRE - No Brasil desde 1992, a MAPFRE é parte do grupo espanhol que forma uma das maiores empresas de prestação de serviços nos mercados segurador, financeiro, de saúde e pesquisa do mundo. Sólida e inovadora, está presente nos cinco continentes. Especialista nos segmentos em que atua, a MAPFRE opera com bases de negócios sustentáveis e é dividida em unidades de Investimentos, Consórcios, Capitalização, Previdência e Vida Resgatável, Saúde, Seguros (por meio do GRUPO Segurador Banco do Brasil e MAPFRE), Assistência e Pesquisa e Desenvolvimento (CESVI Brasil). A companhia ainda mantém a Fundación MAPFRE, instituição sem fins lucrativos, que promove e desenvolve atividades de interesse geral da população. Mais informações sobre produtos e soluções: www.mapfre.com.br.

A unidade MAPFRE Investimentos é especializada na gestão de fundos de investimentos que atendem aos segmentos de pessoa física e jurídica, além de entidades de previdência complementar, totalizando hoje um volume superior a R$ 10 bilhões.

Informações para imprensa - CDN Comunicação
Ana Beatriz Paschoal | + 55 11 3643-2737 | anabeatriz.paschoal@cdn.com.br   
Henrique Alves | + 55 11 3643-2736 | henrique.alves@cdn.com.br

Voltar ao topo