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MAPFRE Investimentos: A percepção e a realidade

São Paulo, 21 de janeiro de 2019 - Esta semana é de eventos importantes, a começar pelo discurso do presidente Bolsonaro na abertura no Fórum Econômico Mundial de Davos, amanhã. Na quarta-feira (23), serão apresentados o IPCA-15 e o Índice de Confiança do Empresário Industrial. Na sexta-feira (25), a CNI divulgará a sua Sondagem Industrial, com dados fechados da atividade da indústria em 2018. No âmbito externo, o Banco Central Europeu definirá a sua taxa básica de juros no dia 24. 

A percepção do mercado é a de que a economia brasileira segue no caminho das reformas. Não seria por acaso, portanto, que o risco-país do Brasil estaria em queda. De fato, o Embi+Brasil, mensurado pelo JP Morgan, diminuiu 19% desde setembro do ano passado.

De acordo com a MAPFRE Investimentos, ao correlecionar níveis de risco de diferentes países com suas respectivas notas de crédito de agências de rating (figura abaixo), uma possível conclusão é a de que o ponto equivalente à economia brasileira poderia ser deslocado para cima até a curva de regressão. Ou seja, a classificação de rating do Brasil poderia ser elevada em pelo menos um nível na escala da Moody’s.

As últimas declarações da agência de rating, entretanto, não corroboram essa percepção. Na semana passada, um representante da Moody’s declarou que a nota atual do Brasil já reflete a implantação da reforma da previdência. Segundo essa leitura, o ponto equivalente à economia brasileira poderia ser deslocado para a direita até a curva de regressão. Ou seja, o que deve ser elevado é o risco-Brasil.

A conclusão é a de que, a despeito da percepção positiva do mercado, a efetiva implementação das reformas deve seguir no foco das atenções. Caso ela ocorra, o evento já estará no preço das agências de classificação de rating. Caso contrário, o evento será devidamente precificado pelas agências na classificação soberana de risco da economia brasileira como evento negativo.

RENDA VARIÁVEL: Guerra Metálica

No ano passado, os Estados Unidos ergueram barreiras comerciais ao aço importado com o argumento de defesa dos produtores americanos. Especialistas em comércio exterior apontavam para o desarranjo que essa medida poderia provocar. Se o aço que uma empresa enviava aos EUA tivesse perdido competitividade após a tarifa de importação, esse mesmo aço teria que ser vendido em outra região do mundo.

Não demorou seis meses para começar o desarranjo do comércio internacional no setor. Boa parte do aço que seria vendido nos EUA foi parar na Europa, inundado o mercado local com produtos e, consequentemente, derrubando os preços. Valores menores causam maior competição para os produtores locais e menor faturamento para as siderúrgicas europeias.

Diante da constante deterioração do quadro, na semana passada, a União Europeia anunciou o aumento da taxa de importação e criou cotas para 26 produtos do setor siderúrgico. Caso um determinado país supere a sua cota estabelecida, entrará em vigor uma tarifa extra de 25%.

Com base nos dados dos Formulários de Referência de 2018 (dados de 2017), a MAPFRE Investimentos buscou identificar as companhias brasileiras de capital aberto na Bovespa que seriam mais prejudicadas pela nova medida. A Gerdau, que representa cerca 37% da fabricação nacional total da commodity (a empresa opera em outros países), exporta 11% de sua produção de aço para a Europa. Se hipoteticamente os também 11% eventualmente barrados pelos EUA forem direcionados ao velho continente, 8,2% do total produzido pela companhia está sujeito à nova barreira comercial.

No caso de Usiminas, o mercado externo representa 13% de sua receita, sendo 7,3% destinado à Europa e apenas 0,1% aos Estados Unidos. Já a CSN tinha 53% das vendas direcionadas ao mercado externo, sendo 14% para a Europa e 11% aos EUA. Se considerarmos que as vendas dos EUA forem direcionadas para a Europa, a empresa teria 25% das suas receitas sujeitas a nova tarifa.

Na contramão do restante do mundo, surgiram notícias de uma possível maior abertura de comercial do Brasil nesse segmento. As tarifas de importação, alinhadas à Tarifa Externa Comum, do Mercosul, variam entre 12% e 14%, dependendo do produto. O Mercosul reduziria suas tarifas aplicadas à importação de aço, justamente em um momento em que os outros países estão aumentando as suas. Teríamos uma concorrência ao aço produzido no Brasil, em detrimento de produtores locais.

Com base nesses dados, é possível afirmar que a CSN seria a empresa de capital aberto mais exposta às novas barreiras europeias. Também foi possível identificar que, no caso de uma maior abertura comercial do Brasil, com quedas unilaterais de tarifas de importação, a mais exposta das empresas de siderurgia seria a Usiminas. A Gerdau ficaria aparentemente protegida por ter operações no mercado norte-americano.

GESTÃO
Os ativos brasileiros seguiram em seu ritmo de valorização na semana passada, função do otimismo dos investidores com a perspectiva de proximidade da apresentação do projeto de reforma da Previdência ao Congresso e sua aprovação rápida, a despeito de os indicadores de atividade econômica mostrarem crescimento tímido na margem, para dizer o mínimo, tal qual o IBC-Br.

Com efeito, o seguro de proteção contra default da dívida brasileira (Credit Default Swap de cinco anos) abaixo de 175 pontos, bem como o Emerging Markets Bond Index do Brasil em cerca de 250 pontos (cesta de títulos públicos brasileiros denominados em dólar) já negociam como se o país estivesse com duas classificações de risco acima da atual – de volta ao investment grade – e precificam como certa a aprovação da reforma da Previdência, independente da economia prevista ainda não ser conhecida.

O cenário externo contribuiu para o otimismo, com os Estados Unidos sinalizando alívio nas negociações comerciais com a China, enquanto esta adotou medidas adicionais de estímulo diante dos crescentes sinais de desaquecimento econômico: o People’s Bank of China (equivalente do Banco Central) ofertou em apenas um dia US$ 80 bilhões em operações compromissadas de 7 e 28 dias, provendo liquidez ao sistema e apresentando mais uma arma entre todas à disposição em seu arsenal econômico, naquilo que já começa a ser chamado de quantitative easing chinês.

O Ibovespa subiu cerca de 2,6% na semana, enquanto o S&P 500 teve ganhos de 2,8%. Já o dólar subiu cerca de 1,0% na semana, enquanto os DIs oscilaram dentro de estreita faixa de variação, com pouca volatilidade.

DISCLAIMER - Este conteúdo foi criado pela MAPFRE Investimentos S/A (MAPFRE Investimentos) e é disponibilizado apenas para fins informativos. Sua finalidade exclusiva é emitir opiniões técnicas de cunho particular, acerca de possíveis movimentações do cenário atual do mercado que possam ocasionar eventuais impactos ao investidor e/ou potencial investidor. As informações, opiniões, estimativas e projeções apresentadas constituem concepção exclusiva da MAPFRE Investimentos, considerando a data atual e dados públicos confiáveis. Essas observações estão sujeitas a alterações sem aviso prévio a exclusivo critério da Empresa, que não tem obrigação de atualizar, modificar ou alterar este material. A MAPFRE Investimentos reforça que este conteúdo não é uma sugestão para a compra ou venda de qualquer instrumento financeiro nem tem a pretensão de indicar investimento pessoal e não leva em conta as características de investimentos específicos, a situação financeira e as necessidades particulares de qualquer pessoa que tenha acesso a este informe. A Companhia recomenda que o investidor ou potencial investidor busque orientação financeira sobre o melhor produto a ser adquirido, observando a adequação ao seu perfil, antes de realizar qualquer tipo de investimento financeiro. A MAPFRE Investimentos, seus administradores e funcionários estão isentos de quaisquer responsabilidades sobre eventuais danos resultantes direta ou indiretamente da utilização das informações contidas neste informativo.


Sobre a MAPFRE - No Brasil desde 1992, a MAPFRE é parte do grupo espanhol que forma uma das maiores empresas de prestação de serviços nos mercados segurador, financeiro, de saúde e pesquisa do mundo. Sólida e inovadora, está presente nos cinco continentes. Especialista nos segmentos em que atua, a MAPFRE opera com bases de negócios sustentáveis e é dividida em unidades de Investimentos, Consórcios, Capitalização, Previdência e Vida Resgatável, Saúde, Seguros (por meio do GRUPO Segurador Banco do Brasil e MAPFRE), Assistência e Pesquisa e Desenvolvimento (CESVI Brasil). A companhia ainda mantém a Fundación MAPFRE, instituição sem fins lucrativos, que promove e desenvolve atividades de interesse geral da população. Mais informações sobre produtos e soluções: www.mapfre.com.br.

A unidade MAPFRE Investimentos é especializada na gestão de fundos de investimentos que atendem aos segmentos de pessoa física e jurídica, além de entidades de previdência complementar, totalizando hoje um volume superior a R$ 10 bilhões.

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