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MAPFRE Investimentos: Economia americana e o dólar

São Paulo, 7 de janeiro de 2019 - Esta semana é de divulgação de indicadores nada desprezíveis. O foco das atenções no mercado interno será a inflação. Nos dias 8 e 11 serão apresentados os dados de inflação, IGP-DI e o IPCA, respectivamente. Amanhã também contaremos com a divulgação da Produção Industrial Mensal (PIM) de novembro. No front externo, serão apresentados dados de criação de empregos nos EUA, da ata do FOMC (Comitê Federal de Mercado Aberto, em tradução livre), ambos na quarta-feira, e do CPI (índice de preços ao consumidor norte-americano), na sexta-feira.

Não há como negar que os indicadores internacionais, em especial norte-americanos, devem balizar o humor dos investidores. Afinal, uma das perguntas que o mercado busca responder refere-se à intensidade da desaceleração da economia dos Estados Unidos em 2019. Há já alguns sinais de que esta pode ser elevada. Indicadores de alta frequência, em especial dados antecedentes, do mercado imobiliário, de produção industrial e de vendas no atacado, aquém das expectativas, reforçam a percepção de redução do ritmo da atividade econômica. Adicionalmente, a diferença entre as taxas dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 e 2 anos aproxima-se de zero. Trata-se de um prenúncio, observado ao longo das últimas décadas, de recessão.

Caso esse cenário se confirme, o que devemos esperar para a taxa de câmbio? É verdade que taxas de câmbio não reagem única e exclusivamente à atividade econômica. Outras variáveis precisam ser observadas, mas vale comentar que o dólar segue sendo considerado reserva de valor. Isso significa que, em momentos de incerteza, a moeda a se fortalecer perante outras. Ou seja, o dólar deve, ou pelo menos deveria, se fortalecer em momentos de recessão econômica nos EUA.

DÓLAR / CESTA DE MOEDAS (Jan97=100)

NOTA (1): Áreas cinzentas indicam períodos recessivos
FONTE: Board of Givernors of the Federal Reserve System (US)

Interessante verificar no gráfico acima que essa hipótese se confirma ao longo das últimas décadas. A economia norte-americana enfrentou seis recessões desde os anos 1970, identificadas pelas colunas cinza da mesma figura. Em apenas em uma ocasião, no início dos anos 1990, o dólar perdeu valor perante outras divisas. Nas demais cinco recessões, o dólar se estabilizou ou se fortaleceu. A MAPFRE Investimentos está atenta aos riscos e oportunidades desse cenário.

RENDA VARIÁVEL: Springs Global e Apple

No front corporativo, a Springs Global informou ao mercado na virada do ano que entrou em acordo com a californiana Keeco para venda parcial de suas operações nos Estados Unidos. Os termos já foram divulgados, porém o acordo deverá ser concretizado apenas em março. A negociação consiste no recebimento de 90 milhões de dólares (aproximadamente 335 milhões de reais) e mais uma participação de USD 36 milhões em uma nova empresa, que combina as operações da Springs e da Keeco.

No dia da divulgação da informação, o valor da Springs na Bovespa era de 345 milhões de reais com uma dívida de quase 1 bilhão de reais. A destinação dos recursos provavelmente será divulgada após o fechamento do negócio. Entretanto, é possível afirmar que no curto prazo os recursos servirão para diminuir a alavancagem da empresa. Mesmo que não sejam liquidados empréstimos, a Dívida Líquida é medida como Dívida Bruta menos Caixa. Se entram recursos em Caixa, a Dívida Líquida cai.

Vemos com bons olhos a redução de alavancagem em Springs, pois a empresa sofre com os ciclos econômicos. Uma das maneiras mais simples de medirmos o risco operacional de uma empresa é: qual a dificuldade que o consumidor tem em adiar a compra dos bens que a empresa vende? No setor de cama, mesa e banho, os consumidores têm possibilidade de adiar compras durante ou anos.

Na crise mais recente a empresa sofreu bastante, registrando prejuízo por diversos trimestres consecutivos. Além dificuldade na geração de caixa nas operações por conta do ambiente econômico deteriorado, a empresa acabava tendo de usar boa parte dos recursos que sobravam para os credores, principalmente bancos. Em um cenário como esse, era difícil que o acionista se beneficiasse. Concretizada a operação com a Keeco, esperamos que a empresa passe a mostrar melhores resultados.

No front internacional chamou a atenção a queda das ações da Apple. As vendas mais fracas na China trouxeram o temor aos investidores que a economia chinesa estivesse desacelerando. Pode ser que seja apenas uma troca de aparelhos mais caros por similares mais baratos. Também existe a hipótese de boicote ao produto americano – uma retaliação popular à guerra comercial. Mas a hipótese que causa mais medo no mercado é a desaceleração da economia chinesa. Aguardemos os desdobramentos.

GESTÃO
A primeira semana do ano foi de franco otimismo com os ativos brasileiros, impulsionado pelas expectativas positivas com o novo governo e a renovação das apostas quanto a aprovação das reformas ‘estruturantes’. A fala de posse do ministro Paulo Guedes deu o tom: reforma da previdência e administrativa, corte de subsídios e desregulamentação sob orientação liberal e ortodoxa em contraposição às décadas anteriores de socialdemocracia contratariam dez anos de crescimento à frente.

Apesar do grande ‘se’ que separa o plano de sua execução, as palavras do ministro foram suficientes para ganhar o benefício da dúvida junto aos investidores. Tanto é que os fundos DIs seguiram devolvendo prêmios, sobretudo nas pontas mais longas, a moeda americana recuou cerca de 4,4% (na casa dos R$ 3,72), enquanto os índices acionários por aqui fecharam a semana com ganhos de cerca de 4,5% (praticamente a inflação esperada para todo o ano), descolando-se do momento menos positivo dos índices acionários internacionais, em que o S&P 500 avançou menos de 2%, com perspectiva de resolução do shutdown do governo americano, retomada das negociações comerciais com a China e a criação de 312 mil postos de trabalho (Payroll), bem acima do esperado.

Dado o momento de otimismo com o mercado brasileiro e consequente aumento das exposições em bolsa, a MAPFRE Investimentos adota uma estratégia de manutenção de suas posições na primeira e nomes fortes de consumo, bem como de aumentar sensivelmente a exposição a nomes mais alavancados e com maior potencial de retorno em construção e materiais básicos. Contudo, sem subestimar os riscos de piora no cenário externo e sabendo que o melhor momento de comprar seguros contra chuva é nos dias de sol, a gestora busca opções de proteção a eventos de cauda a preços mais acessíveis.


DISCLAIMER - Este conteúdo foi criado pela MAPFRE Investimentos S/A (MAPFRE Investimentos) e é disponibilizado apenas para fins informativos. Sua finalidade exclusiva é emitir opiniões técnicas de cunho particular, acerca de possíveis movimentações do cenário atual do mercado que possam ocasionar eventuais impactos ao investidor e/ou potencial investidor. As informações, opiniões, estimativas e projeções apresentadas constituem concepção exclusiva da MAPFRE Investimentos, considerando a data atual e dados públicos confiáveis. Essas observações estão sujeitas a alterações sem aviso prévio a exclusivo critério da Empresa, que não tem obrigação de atualizar, modificar ou alterar este material. A MAPFRE Investimentos reforça que este conteúdo não é uma sugestão para a compra ou venda de qualquer instrumento financeiro nem tem a pretensão de indicar investimento pessoal e não leva em conta as características de investimentos específicos, a situação financeira e as necessidades particulares de qualquer pessoa que tenha acesso a este informe. A Companhia recomenda que o investidor ou potencial investidor busque orientação financeira sobre o melhor produto a ser adquirido, observando a adequação ao seu perfil, antes de realizar qualquer tipo de investimento financeiro. A MAPFRE Investimentos, seus administradores e funcionários estão isentos de quaisquer responsabilidades sobre eventuais danos resultantes direta ou indiretamente da utilização das informações contidas neste informativo.

Sobre a MAPFRE - No Brasil desde 1992, a MAPFRE é parte do grupo espanhol que forma uma das maiores empresas de prestação de serviços nos mercados segurador, financeiro, de saúde e pesquisa do mundo. Sólida e inovadora, está presente nos cinco continentes. Especialista nos segmentos em que atua, a MAPFRE opera com bases de negócios sustentáveis e é dividida em unidades de Investimentos, Consórcios, Capitalização, Previdência e Vida Resgatável, Saúde, Seguros (por meio do GRUPO Segurador Banco do Brasil e MAPFRE), Assistência e Pesquisa e Desenvolvimento (CESVI Brasil). A companhia ainda mantém a Fundación MAPFRE, instituição sem fins lucrativos, que promove e desenvolve atividades de interesse geral da população. Mais informações sobre produtos e soluções: www.mapfre.com.br.

A unidade MAPFRE Investimentos é especializada na gestão de fundos de investimentos que atendem aos segmentos de pessoa física e jurídica, além de entidades de previdência complementar, totalizando hoje um volume superior a R$ 10 bilhões.

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