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Notícias Global Risks nº4

DRONES E O MERCADO SEGURADOR

O uso comercial de drones – veículos aéreos não tripulados – acaba de ter a regulamentação aprovada no Brasil pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Entre as novidades está a exigência de autorização prévia para pilotar drones sobre pessoas. Sem essa autorização, será preciso respeitar uma distância de 30 metros. Clique aqui para ver mais detalhes.

Antes da regulamentação, o uso de drones já era permitido para atividades recreativas e competições. Entretanto, já existem cerca de 720 empresas com atividades ligadas a drones no Brasil, atuando desde a fabricação e manutenção do equipamento até a prestação de serviços, treinamento, tecnologia, seguros, entre outros. O levantamento foi feito por meio do aplicativo da feira DroneShow Latin American, que será realizada entre 9 e 11 de maio em São Paulo.

De olho nesse mercado, o GRUPO SEGURADOR BANCO DO BRASIL E MAPFRE lança o seguro de responsabilidade civil (RC) para drones, com cobertura similar à de aeronaves. A diferença é que, como um drone não leva passageiros e tripulantes, a principal cobertura é o dano causado a terceiros no solo. Outro produto com foco nesse segmento é o seguro para danos ao equipamento. O GRUPO está se preparando para a comercialização do produto, que será disponibilizado ao mecardo no segundo semestre deste ano.

“Com a aprovação das regras para o uso de drones, o seguro de RC vai se tornar obrigatório. Por isso, já elaboramos um produto 100% adequado à proposta de regulamentação”, destaca Carlos Polizio, diretor de Aero, Casco e Transportes do GRUPO SEGURADOR BANCO DO BRASIL E MAPFRE. “Essa estratégia faz parte da cultura multiprodutos da companhia, atendendo a todos os segmentos da aviação.”

O GRUPO também tem estudado as possibilidades do uso de drones em seus negócios. Desde 2015, realiza um projeto de inovação que avalia diversas ferramentas de sensoriamento remoto para a regulação de sinistros e inspeção de riscos.

No início de 2017, foram dois cases. O primeiro relacionado à regulação de um sinistro de florestas e o segundo a uma inspeção de risco para aceitação de aviários. A redução de tempo para realizar a regulação do sinistro foi significativa: o perito levou oito dias para captar os dados, enquanto o drone levantou as informações em um dia e meio. “O drone é um meio muito interessante para o mapeamento de risco de forma rápida”, ressalta Danilo Rinaldi, gerente de Sinistro Agrícola do GRUPO SEGURADOR BANCO DO BRASIL E MAPFRE. “Os principais ganhos são a agilidade e a assertividade, além da redução de custo por não precisar ter um profissional especialista em campo, mas que segue analisando as informações remotamente.”

EM NÚMEROS

Das 720 empresas que atuam com atividades ligadas a drones no Brasil:

  • A maioria tem menos de 20 anos de existência, sendo 60% sediadas em cidades do interior e 40% nas capitais.
  • 87,6% são de prestadoras de serviços e oferecem treinamento. Entre os serviços está o mapeamento de plantações e florestas; inspeção e monitoramento de obras; cobertura de eventos, jornalísticas; e captura de imagens para filmes, novelas e publicidade.
  • As atividades com grande potencial de crescimento são as ligadas ao setor de seguros patrimoniais, segurança privada e serviços de emergência.

Fonte: aplicativo da feira DroneShow Latin America.

Clique aqui para acessar o levantamento da PricewaterhouseCoopers (PwC) sobre as aplicações comerciais para o uso de drones.

Veja algumas opiniões sobre o mercado de drones no Brasil

“A falta de regulamentação tem sido a maior barreira para o desenvolvimento do mercado de drones no país. Com a aprovação das regras, a expectativa é que o mercado dobre de tamanho e áreas como agricultura, inspeção de obras e entretenimento serão beneficiadas, já que muitas das empresas em atividade operam nesses segmentos. Outra dificuldade é que tem muita empresa tentando entrar nesse mercado, mas nem sempre é capacitada para fazer o trabalho. A falta de divulgação de cases, principalmente por receio de atuar em um segmento que não está regulamentado, também prejudica a evolução do setor.

Segundo dados da consultoria Gartner, o mercado de drones deve crescer 39% em 2017, registrando mais 6 bilhões de dólares em vendas no mundo, mas o mercado brasileiro está andando com o freio de mão puxado. Por isso, acreditamos que, com a regulamentação, empresas e profissionais poderão atuar com mais segurança, além de prestar o serviço com mais qualidade.”

Emerson Granemann
CEO da MundoGEO, empresa organizadora da feira DroneShow Latin America

DRONESHOW LATIN AMERICA
Associação Brasileira de Gerência de Riscos – 9 a 11 de maio, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo. A feira oferece palestras, cursos e seminários sobre a utilização de drones em diversos setores. Participe!
Acesse http://www.droneshowla.com para mais informações.

“O país percursor na implantação de regras para o uso do drones é a Austrália, que influenciou a legislação de vários países do mundo. Entre as diretrizes australianas constam a que orienta manter o drone a uma distância de 30 metros de qualquer pessoa, não passar de 120 metros de altura e outras, que também estão na regulamentação brasileira.

Quando comecei a produzir imagens com drones para a área de entretenimento, em 2013, existiam poucas empresas no Brasil. Hoje, o número se multiplicou, mas ainda tem muitos amadores que não possuem noção de captação de imagens, desconhecem os riscos envolvidos e a forma segura de operar o equipamento. Atualmente, a empresa que contrata o serviço de um drone é corresponsável por qualquer coisa que acontecer durante a utilização. Com o seguro de responsabilidade civil, eu ganho mais clientes e mais segurança para trabalhar.”

Rodrigo Figueiredo
Sócio-fundador da Peixe Voador Produções, produtora pioneira na captura de imagens aéreas utilizando drones

“Como corretores, estamos sujeitos a dois tipos de clientes: aqueles que usam o drone para fins de recreação e pessoas que operam o equipamento com objetivos profissionais. Nosso papel é fazer com que o cliente entenda a necessidade de ter a proteção de responsabilidade civil. O bom corretor vai orientar o segurado não somente quanto ao preço, mas também em relação ao que ele deve comprar de cobertura em função de como vai operar o equipamento. Pilotar um drone envolve muitos riscos, podendo causar a morte de uma pessoa ou provocar danos a um prédio comercial. Os nossos clientes ainda não têm esse conhecimento. Por isso, precisamos educá-los quanto aos riscos a que estão expostos.”

Ana Paula
Diretora executiva da Inter Risk Services, corretora de seguros e resseguros especializada em riscos aeronáuticos e marítimos

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