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Notícias Global Risks nº2

As obras de infraestrutura anunciadas pelo governo federal em novembro de 2016 são uma oportunidade para o mercado de seguros de grandes riscos. A expectativa é de que os leilões de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos fomentem os seguros de garantia, responsabilidade civil, riscos de engenharia, transportes e operacionais.


Nesse escopo, entre as obras mais críticas estão as construções de túneis. “Essas concessões requerem análise detalhada e o mercado segurador está preparado para assegurar os riscos”, destaca Bruna Rinaldi, gerente de Energia e Infraestrutura do GRUPO SEGURADOR BANCO DO BRASIL E MAPFRE. “As análises técnicas não se limitam apenas à especificidade da construção de túneis, pois existem muitos outros riscos envolvidos nos processos que devem ser observados.”

 

 

De acordo com o engenheiro civil Carlos Maffei, professor titular da Escola Politécnica (USP) e fundador da Maffei Engenharia, empresa que realiza consultoria técnica de obras especiais, outros fatores devem fazer parte da avaliação de risco da construção de túneis.

Capacidade financeira e técnica – “Muitas obras são paralisadas por falta de equipe especializada e não por falta de pagamento, por parte da empresa contratada, a fornecedores e trabalhadores. A seguradora pode até cobrar mais se identificar falta de preparo e capacidade por parte da construtora.”

Tipo de contrato – “É fundamental ter uma equipe especializada para avaliar se tudo o que está no contrato condiz com a realidade do projeto, desde a quantidade de materiais até valores, pagamentos e empresas responsáveis.”

Equipamentos e escavação – “É preciso ficar atento se o maquinário utilizado é de boa qualidade. A quantidade de escavação também é importante, pois quanto maior a escavação mais a empresa terá que investir em transporte, deslocamento e descarte dos materiais.”

 

Acompanhe a opinião de outros especialistas sobre a construção de túneis.

"A construção de túneis é necessária em obras de estradas e ferrovias. Além da expertise da empresa, é preciso ter uma equipe qualificada, principalmente geólogos e engenheiros, profissionais que ficam na linha de frente da construção. O gerenciamento de risco tem que fazer parte da filosofia da empresa desde o início do projeto. O acompanhamento por parte da seguradora e pelo ressegurador também é fundamental. Quando acontece um sinistro, todos perdem, por isso é preciso que o segurador e o ressegurador estejam alinhados com os interesses do segurado. O sinistro de construção de túneis é muito difícil de regular, você precisa saber exatamente a causa, se foi um erro de projeto ou uma falha do segurado em relação ao gerenciamento. O acompanhamento é muito importante, pois, se for detectado algum problema, é possível fazer a recomendação para ajustes.” - André Guidetti Gerente de Engenharia da IRB Brasil, empresa líder no mercado brasileiro em resseguros

 

"Os projetos de infraestrutura podem ser positivos para uma expansão do crédito privado, que tem exigências mais rigorosas em relação a garantias e seguros de risco de engenharia e responsabilidade civil. Na construção de túneis, destaco dois aspectos que fazem toda a diferença na hora de prever o risco de uma obra:

Tipo de contrato: de acordo com o contrato, as responsabilidades com os riscos geológicos podem variar. No contrato turn key – um tipo de operação em que a empresa contratada tem a obrigação de entregar a obra em condições de pleno funcionamento – ouEngineering Procurement Construction (EPC), as responsabilidades são transferidas para o contratado, no caso, a construtora. Já no contrato com valor unitário, a contratante se mantém à frente da obra e define o que quer ou não quer que a construtora faça. Nesse caso, cada serviço é pago individualmente. Por exemplo, se a construtora encontra um solo mais difícil, isso implica custos. Em um contrato de valor unitário, esse ônus é repassado para a empresa contratante. Em um turn key, esse risco geológico recai sobre a construtora. A forma como um risco geológico é tratado em termos contratuais requer atenção, pois pode existir uma pressão econômica para que a construtora adote soluções mais baratas ou mais arrojadas do ponto de vista técnico.

Equipe multidisciplinar: é muito importante a existência de uma equipe multidisciplinar de Acompanhamento Técnico de Obras (ATO), composta por engenheiros, engenheiros estruturais, engenheiros geotécnicos, geólogos, etc., e responsável por acompanhar cada etapa da escavação. Como o túnel é um projeto vivo, pois nunca se tem certeza do que pode ser encontrado embaixo da terra, essa equipe precisa ter conhecimento de geologia, propriedades do solo, as hipóteses e os condicionantes de projetos, mecanismos de instabilidade, etc. É fundamental que o subscritor tenha certeza de que a equipe existe antes de aceitar o risco da obra.” - Lucas Lopes Head of Non-Life P&C Fac. UW Dept da Munich RE, grupo ressegurador com sede na Alemanha e ampla experiência em ramos técnicos.

 

"O mercado de seguro garantia, na modalidade tradicional de performance, pode ser beneficiado caso seja aprovado o Projeto de Lei 2.391/2015, que prevê o aumento do percentual mínimo exigido para garantia dos contratos de 10% para 30%, ou até mais, dependendo da complexidade do projeto. Por outro lado, as crises econômica e política afetaram a modalidade de riscos de engenharia devido à redução de obras públicas de infraestrutura e dos investimentos no setor privado, o que deve mudar com a retomada desses investimentos. E o mercado segurador está preparado para atender a essas demandas, dando início a um ciclo dos seguros, usualmente atrelados a novos investimentos. Primeiro com o seguro garantia, desde as propostas com os bid bonds – seguro garantia do concorrente – até as garantias de performance contratual. Em seguida, com os riscos de engenharia, pois muitas concessões vão demandar um volume razoável de investimentos em termos de melhoria e modernização dos aeroportos, rodovias e ferrovias. Paralelamente às construções, temos o impacto direto desses investimentos na carteira de transportes, com o deslocamento dos materiais de obra, dos equipamentos e componentes, etc. E esse ciclo segue indefinidamente até a operação das concessões, com a contratação do seguro de propriedade e dos seguros de responsabilidade civil geral e aeronáutico, que são apólices anuais e renováveis e devem ser mantidas em vigor até o período final da concessão.” - Rodrigo Rolo Gerente de Infraestrutura da Aon, empresa de consultoria em gestão de riscos, corretora de seguros e resseguros, que conta com equipe especializada no segmento de infraestrutura

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